sábado, 1 de março de 2025

Música Para Pessoas Desesperançadas




Como o DSBM consegue gerar uma sensação prazerosa em quem o escuta?

Bem, O DSBM é um tipo muito específico de música. Ele retrata a dor mental de forma muito direta, íntima e pessoal. O músico tenta tirar o máximo de dores de seu peito através desse tipo de música. A música em geral pode ser usada para isso, e aliás, vem sendo usada há milênios. Porém, o DSBM vai mais a fundo. Ele entra no abismo interior do indivíduo e traz para fora tudo aquilo que o machuca por anos a fio. Obviamente, nem todas as pessoas com transtornos mentais, que lutam contra suas dores emocionais, escutam DSBM, ou mesmo apreciam algum tipo de arte mais obscura e crua em torno das emoções humanas. E está tudo bem, as pessoas devem buscar por aquilo que possa ser útil a elas. Devem consumir apenas aquilo que traz efeitos positivos em seus dias. Mas, para nós que nos conectamos com o DSBM, ele gera uma sensação única, algo que não conseguimos encontrar em outros lugares.
E por que isso ocorre?

Cientificamente falando, há muitos fatores envolvidos nesse prazer gerado pelo DSBM:

Capacidade de canalizar emoções negativas, sensação de acolhimento - Ouvir um tipo de música que vai de encontro ao que você está vivenciando gera uma conexão quase instantânea. Conforme você vai escutando as músicas, maior se torna a sensação de ser consolado (a). Alguém, uma alma em algum lugar do planeta, está retirando de seu peito uma intensa carga de angústias, literalmente gritando aquilo. Essa pessoa não tem a pretensão inicial de ser ouvida, mas sim de deixar sua dor escapar, alcançar o meio externo. Utilizar a música para isso torna tudo ainda mais completo. Aquela pessoa está tentando fazer música, mesmo estando sob intensa aflição. De forma sincera, ela usa a música para poder dizer o que estava a sufocando. Nós, ouvintes, nos identificamos a tal ponto de sentir que aquela música foi feita para nós. Passamos a nos sentir abraçados (as). E, literalmente, essa sensação é real. As áreas do cérebro ativadas quando somos abraçados de forma carinhosa por quem nos ama, são as mesmas ativadas quando escutamos DSBM.

O DSBM cria um espaço seguro para processar sentimentos e viver uma catarse emocional - Uma das sensações que o sofrimento mental gera é o de abandono. As pessoas se sentem sozinhas, desamparadas e desprotegidas. O DSBM consegue criar uma segurança emocional, um espaço para que as pessoas possam se sentir livres para manifestarem suas angústias sem serem julgadas ou terem as suas dores invalidadas. O ambiente seguro que o DSBM proporciona faz com que tanto os  músicos/musicistas quanto os (as) ouvintes possam estar seguros (as), possam sentir e expressar o que sentem sem obstáculos. A catarse emocional é o ponto mais sólido do DSBM. É justamente esse expurgo das emoções que faz esse tipo de música ser tão importante para seus fãs. As barreiras são derrubadas, as emoções que foram suprimidas por tanto tempo podem, finalmente, ser liberadas.

O DSBM proporciona uma sensação de validação das dores emocionais - Diante de uma sociedade que só invalida o que sentimos e quem somos, vai se tornando cada dia mais difícil encontrar alguém que realmente acredite no que sentimos. Além de ignorarem nossas dores, a maioria das pessoas (incluindo amigos e família) ainda invalidam elas, fazendo parecer que aquilo não é nada, ou que "todo mundo passa por isso, apenas supere". Então nós ficamos desolados (as), sem ter com quem poder contar. Sim, a ajuda médica especializada é importante, psicólogos e psiquiatras, mas não podemos reduzir tudo a isto. O tratamento psiquiátrico tem como parte fundamental justamente o apoio da família e de pessoas mais íntimas. Quando isto não acontece, ficamos nos sentindo ainda mais sozinhos (as). Pela capacidade incrível que o DSBM tem de gerar conforto, ele traz também essa validação das dores individuais de cada pessoa. Quando ouvimos algo que vai em direção ao que sentimos e estamos experimentando, nosso cérebro reforça que aquilo é real. Que aquele sentimento está genuinamente sendo manifestado. Assim, por mais doloroso que seja o momento, nós sabemos que aquilo é real. Nós compreendemos que aquela experiência é autêntica e significativa. Isso nos impede de ficar suprimindo o que sentimos e de ficar usando máscaras sociais para parecer bem.

O DSBM ajuda a criar um vínculo com outras pessoas - A arte em geral tem esse poder de unir as pessoas. Com o DSBM isso tem um caráter mais especial. As pessoas já estão se sentindo abandonadas pela família e, supostos, amigos, então elas se tornam mais reclusas, até com medo de fazer contato com os outros. São pessoas machucadas, maltratadas, colocadas à margem da vida, então confiar em alguém se torna muito difícil. Mas, o DSBM consegue proporcionar até mesmo essa conexão social. É muito comum vermos comentários, por exemplo, em vídeos no YouTube de pessoas interagindo umas com as outras, e motivadas pelo DSBM. Nas redes sociais, em páginas de DSBM, isto também é muito comum. Posso citar a mim mesmo, Lúgubre, ao conhecer o Mad, administrador da página DSBM - Depressive Suicidal Black Metal Brazil. Foi o DSBM que nos uniu há 8 asnos. Ainda, há algo muito interessante no DSBM que é a conexão de fãs com as bandas. As bandas interagem com seus seguidores e fãs, e tudo se torna um círculo sadio de comunicação. Sim, é fato que no DSBM há bastante indivíduos reclusos, que preferem estar mais isolados, por consequência do que mencionei antes, a perca da confiança nos outros. Ainda assim, há um círculo muito sólido de apoio mútuo na cena de DSBM. As pessoas não estão aqui de forma aleatória, pois o DSBM não é um tipo de música aleatória, sem contexto e forma. Então, quem ouve DSBM já se sente conectado (a) com os (as) músicos/musicistas e outros (as) ouvintes mesmo sem qualquer tipo de contato direto. E isto é algo incrível.

O DSBM pode despertar emoções complexas e parcialmente positivas como nostalgia e ternura - Além da canalização das emoções e sensações negativas, o DSBM ainda tende a gerar sensações agradáveis. A nostalgia, sem dúvidas, é uma das mais sentidas pelos ouvintes. E é, aliás, uma das palavras bastante usadas em letras de música, títulos ou mesmo em nomes de bandas. A nostalgia é um sentimento confortador que um indivíduo pode experimentar ao se lembrar de momentos passados. Diferente da saudade, que pode ser diminuída ao repetir aquilo que a gera, a nostalgia não pode ser repetida. Por isso a sua intensidade é maior, pois são lembranças que estão no passado do indivíduo e jamais poderão voltar. Nisto, a pessoa se apega à lembrança daquilo o quanto pode. A música é um grande acionador para experimentar momentos nostálgicos. Embora o DSBM em si seja um subgênero novo de música, o que leva à nostalgia são as letras que falam de momentos alegres que o (a) compositor (a) retrata, daquilo que ele/ela uma vez já sentiu e foi soterrado. Por consequência, o (a) ouvinte pode se identificar e lembrar dos seus próprios momentos passados também. A melodia da música se junta à letra para esse momento. As músicas com mais suavidade, guitarras etéreas em paredes sonoras que se mesclam são as que mais tendem a levar o indivíduo à nostalgia. Se torna comum recordar da infância ou adolescência como forma de escapismo. O presente, infelizmente, tomado pela dor mental não deixa espaços para a alegria, então a pessoa procura se lembrar daquilo que um dia já viveu e causou-lhe boas sensações.

O DSBM alimenta a empatia - Pessoas em sofrimento mental já tendem a nutrir a empatia. É como uma máxima de "não desejo que ninguém passe pelo o que eu passo". E é algo triste que a empatia seja encontrada mais por quem sofre, do que por quem não tem nenhum transtorno mental. Triste porque essas pessoas que não sofrem o inferno mental deveriam fazer o possível para ter respeito, compreensão e dar apoio às pessoas que lutam diariamente contra a própria mente. Justamente por estarem mais saudáveis, poderiam, ao menos, estar apoiando aquelas que mal conseguem realizar as tarefas mais básicas do dia a dia. A realidade é que essas pessoas são as que menos ajudam e ainda ridicularizam aquelas que sofrem. Por fim, o círculo, que foi mencionado anteriormente, presente no DSBM se fortalece e se fecha em si mesmo. Somos nós por nós. Quanto mais ouvimos e estamos inseridos na cena de DSBM, mais é possível observar a empatia sendo manifestada. Por exemplo, quando alguém ataca um músico, musicista ou fã de DSBM, está nos atacando também. Pela identificação com as músicas e com os (as) próprios (as) compositores (as), nós nos sentimos agredidos (as) diretamente por aquele "odiador". De modo geral, o DSBM tem um nicho muito pequeno e que, por ter este círculo estabelecido, se mantém pequeno. É até mesmo uma forma de mantê-lo apenas para quem realmente compreende a sua proposta. Pois pessoas de fora, infelizmente, sempre julgarão aquilo que elas não compreendem, não por falta de conhecimento, mas sim por pura crueldade e falta de empatia.

Liberação de serotonina, dopamina, endorfina e ocitocina - Estes neurotransmissores são os principais relacionados com o sofrimento mental. O desequilíbrio deles no cérebro leva a pessoa a experimentar sintomas e comportamentos que comprometem toda a sua vida. A serotonina é bem conhecida por estar relacionada ao prazer. Mas a dopamina, endorfina e ocitocina também desempenham este papel de gerar prazer e bem-estar nas pessoas. A dopamina está relacionada à recompensa, ela causa o sentimento muito bem conhecido de prazer por realizar ou receber algo. O corpo inteiro reflete o bem-estar, e a nível mental o indivíduo se sente revigorado, calmo e realizado. Assim, ao ouvir DSBM uma área do cérebro chamada núcleo accumbens é estimulada, liberando então dopamina. É interessante que a dopamina é liberada quando antecipamos o prazer de ouvir, ou seja, só de pensar em ouvir determinada música o prazer já começa a ser gerado. E passamos a querer ouvir cada vez mais aquelas músicas, justamente pela recompensa prazerosa que elas nos oferecem. A endorfina está relacionada com o prazer e relaxamento, aquela sensação de corpo leve. A música ajuda na liberação desse neurotransmissor, gerando assim a sensação de leveza. Por mais pesado sonoramente que o DSBM possa ser, há uma recepção individual que o faz soar brando. A conexão que se cria ao ouvi-lo o transforma em uma espécie de calmaria diante do inferno que aquela pessoa vivência. O cérebro então libera endorfina e esta pessoa se sente menos tensa. Ainda, a endorfina reduz a dor física e o corpo diminui a tensão muscular. Como se a pessoa estivesse retirando um pouco do fardo de seus ombros. A ocitocina é liberada quando abraçamos e somos abraçados, gerando boas sensações, principalmente de acolhimento, o que reduz a solidão. Eu disse lá no início que o DSBM é como um abraço, e de fato é assim que o cérebro interpreta, pois, a mesma região ativada quando recebemos um abraço ou abraçamos alguém é também ativada ao ouvir DSBM. Então, literalmente, o DSBM é sim um abraço. E sentir isto libera a ocitocina, que por sua vez gera a sensação de pertencimento, de conforto, reduzindo a sensação de vazio e solidão.

Que a música é uma arte incrível e tem um poder gigantesco de nos fazer bem, já é algo muito conhecido pela humanidade desde os tempos mais remotos. Falando especificamente do DSBM, nós, melhor do que ninguém, sabemos o que ele nos proporciona. É uma experiência única, uma sensação singular. Por isso, também, se faz importante repetir algo que já destaquei em outros textos.
Se você caro leitor e leitora, amante do DSBM, sentir que em determinando momento ouvir DSBM não esteja te fazendo bem, pare imediatamente, ou dê uma pausa por algum tempo. A proposta do DSBM é gerar acolhimento, compreensão do sofrimento mental. Se você sentir algo oposto a isto, apenas pare de ouvir e procure outros tipos de músicas que gerem identificação com o que você está experimentando. Devemos nos apegar apenas às coisas que nos façam bem.

sexta-feira, 8 de março de 2024

Mulheres na cena

 


Dentro da cena musical as mulheres vêm ganhando força há anos, mas, mais precisamente no DSBM, isso tem ocorrido recentemente. E é muito satisfatório ver o acolhimento de quem aprecia o Depressive Suicidal Black Metal em relação a isso. Há muitas bandas e projetos onde há uma única mulher a frente, bem como bandas onde elas estão entre os membros. Aqui segue uma relação de mulheres que fazem parte da cena mundial de Depressive Black Metal/Depressive Rock.



Tenebra [Silvana Rosa] - Dreariness.
Xasthuriath [Anastasiia] - Bitter Reflections, Life's Illusion e Mars Mantra.
Possessed Demoness [Ana] - Anguished.
S. Caedes [Anett] - Lebenssucht.


Dermon [Christina] - Being "Alive" Is Beautiful.
Mörtemiis [Lina] - Nihilistium.
Yuga - Ampulheta.
Renia - Nymphrenia.


Lady S - Nocra e Astra Autisma.
Hypothermia [Angela] - Zenith Maudlin, Coldnight e Lifeless.
Malicious [Heather] - Hanging Garden e The Eternal Night.
Vorst [Kitti] - Tunes Of Despair.
Nokt Aeon [Ekaterina] - Absence Of Life e Dymna Lotva.
Bleakk - Dysphorie.


Sad Hvilestad [Yudhie] - Mortt.
Alisa S. - Clonazepam.
Das Irrlicht [Tainnara] - Alivium.
Storm [Stormens] - Cyclothymia e Esipram.
Moon - Catalepsia e Trauma.


T.V. [Tereza] - Amissa Anima e LIBERATEME.
Melissa - Born an Abomination.
Audrey Sylvain - Amesoeurs, Malenuit e Horns Emerging.
The Patient [Aleksha] - Morphine.
Tesana - Nocra.


Rana [Aleksandra Boniecka] - Hekation.
Jeanne [Joanna] - Dekadens.
Rachel - Hollow Lives.
Morta - Enforcada Pela Vida.
Chantal Phillips - Addaura.

quinta-feira, 2 de novembro de 2023

Falecidos da cena DBSM

 


A morte é inevitável a todo ser vivo neste planeta, no entanto, ter consciência de que ninguém escapa dela não quer dizer que nos tornamos imunes ao luto, ainda mais quando uma pessoa a qual estimamos falece. A ausência que permeia após, infelizmente, é uma dor a mais no já pesado fardo da existência. Que essas pessoas que tanto agraciaram - e seguirão agraciando - amantes do DSBM, possam descansar, finalmente, em paz.

Malvery foi uma banda canadense formada em 1993 por Infurya na bateria, Coroner na guitarra, Vorlord nos teclados e guitarra, J.F. Boyte no baixo e Mario Milette (Amer LeChâtier) nos vocais. A banda é tida como "Proto-DSBM" pois, ao lado de Silencer, formou as bases do que viria ser característico no subgênero anos mais tarde. Em 1998 foi lançada uma 'promo, e em 1999 começaram as gravações do álbum de estreia, Mortal Entrenchment In Requiem, que acabou se tornando o único da banda. LeChâtier faleceu alguns dias após finalizarem as gravações e, por consequência, nem chegou a ver o lançamento do mesmo.



Angústia foi um projeto brasileiro de Leandro Carvalho (Lobo). A sonoridade mesclava Depressive Black Metal e Shoegaze. Ele lançou apenas a demo Eternamente ao Fim no ano de 2013. Veio a falecer em 11 de dezembro de 2016.



And End... foi um projeto russo de Роман Ломовский (Roman Lomovskiy). A sonoridade mesclava DSBM e Post-Black Metal. Ele lançou apenas o álbum Between Light and Lies no ano de 2013 e, dois meses depois, no dia 1º de junho ele faleceu.



Dødfødt foi uma banda norueguesa formada por Nexx, Thyphos e Necro. A sonoridade misturava Black Metal com Noise e as letras abordavam depressão, solidão, dor mental e suicídio. Os vocais lembram bastante os de Nattramn. Lançaram a demo Forged in Inhuman Pain em setembro de 2007, dois meses depois, em novembro, o baixista Necro faleceu.



ROPE foi uma banda brasileira formada por Ricardo Almeida (Chackal) no ano de 2014. Suas letras abordavam a depressão, misantropia, fracassos e falhas pessoais, ideações suicidas, angústia, solidão e desilusões em relacionamentos interpessoais. Ele lançou o EP Asi em 2014 e um álbum autointitulado em 2016. Em julho de 2018 Chackal faleceu.



Rotten Light foi uma banda espanhola formada por Angel Cobos (Silence). Ele também esteve a frente das bandas Suicidal Psychosis, Theslecre e Traumatic Memories. Com Rotten Light lançou uma grande quantidade de álbuns, EPs, splits e singles. Veio a falecer em 14 de janeiro de 2019.



Lifelover foi uma banda sueca formada por Jonas Bergqvist (B) e Kim Carlsson. No decorrer dos lançamentos, outros membros se somaram à banda: LR, 1853, H e Fix. Com características de unir o Black Metal com o Pós-punk, música ambiente e experimental, foi a precursora do chamado Depressive Rock/Narcotic Metal. Com Lifelover, B lançou uma promo, um EP e quatro álbuns de estúdio, sendo o último, Sjukdom, em fevereiro de 2011. Ele também foi membro das bandas Dimhymn, IXXI, Ondskapt e Woundism. Ele também fez vocais e discursos para o álbum autointitulado da banda Reaktor 4, banda formada por amigos de Jonas. Em 9 de setembro de 2011 B veio a falecer.



Apati foi uma banda sueca formada por C9H13N e Fredrik Wolff (Obehag) em 2007. No ano seguinte dois novos membros ingressaram na banda: Patient C e Professor X. A sonoridade da banda era bastante melancólica e depressiva, mesclando Black Metal, Pós-Punk e Ambient. As letras abordavam as drogas lícitas e ilícitas como válvulas de escape da realidade, medicação, autoagressão, automutilação, suicídio, ansiedade, dor mental, desesperança, angústia e vida urbana. Assim como sua conterrânea Lifelover, a banda Apati também recebeu o título de "Narcotic Metal". Foram lançados dois álbuns de estúdio, Eufori em 2009 e Morgondagen inställd i brist på intresse em 2010. Em 23 de julho de 2011 Obehag faleceu.



Clonazepam foi um projeto brasileiro de Alissa S., formado no ano de 2019. Com uma sonoridade atmosférica e densa, as letras abordavam a depressão, solidão, abuso sexual e dor mental. Ela lançou a demo Enquanto Eu Espero a Minha Vez Chegar em 2020 e o split Estar Perto Não é Físico em 2021. No dia 17 de outubro de 2021 Alissa veio a falecer.


quarta-feira, 25 de outubro de 2023

Entrevista com Unguilty & Nattag

 



Diferentemente das entrevistas que comumente são postadas aqui, com membro ou membros de uma só banda, a partir desta um novo formato se soma: entrevistas em duplas. No entanto, com membros de bandas distintas. As perguntas serão as mesmas aos dois músicos, ou duas musicistas, cada qual respondendo-as ao seu modo, com sua pessoalidade, pontos de vistas, etc. Nesta estreia, F. R. e Yakoushi - dois músicos com projetos relativamente recentes, Unguilty e Nattag, respectivamente, mas, que já alicerçam lançamentos muito bem produzidos e somam mais sonoridades dentro do DSBM - vêm apresentar suas ideias, opiniões e convicções.

 

É evidente que vocês têm influências de outros artistas no cenário da música, e essas influências são canalizadas e refletem nos seus respectivos trabalhos, juntamente com o peso expressivo da originalidade de cada um. Vocês apreciam outras formas de arte como cinema e literatura? Se sim, há também influências que vocês absorvem disto e, de algum modo, leva para seus projetos musicais?

F.R.: Com certeza. A arte sempre foi uma constante na minha vida, de muitas formas. Além da música, também tenho muito contato com artes plásticas (como pinturas e esculturas) e com a literatura. Essas influências podem ser observadas em minhas músicas através do romance que paira sutil em minhas letras, das referências a outras obras, de minha tentativa em induzir o ouvinte a criar imagens não apenas sonoras, mas, também visuais e até mesmo narrativas, dentre outros aspectos. Há, inclusive, uma música em minha demo de estreia onde cito um trecho do romance alemão, "Os Sofrimentos Do Jovem Werther", de Johann Wolfgang von Goethe. A música se chama "A Dream That Fades Into Reality".

Yakoushi: Não sou muito adepto do cinema, mas gosto bastante de Control (2007) e de The Crow (1994), este último sendo meu favorito. Creio que a maior influência que eu absorvo de ambos seja a atmosfera melancólica e noturna, além de que The Crow é uma obra (tanto a HQ quanto o filme) bem poética ao meu ver. Desse tipo de mídia audiovisual, animes são de longe o tipo que mais consumo (há inclusive um sampler de um anime moe em uma faixa minha chamada "Proscrição", mas não lembro especificamente qual foi o anime usado). Gosto de literatura, sim, sobretudo contos e poesia. Atualmente não leio mais tanto quanto costumava fazer no passado, mas continuo apreciando bastante essa arte. É algo que está presente no Nattag fortemente, apesar de ser um pouco complicado explicar com precisão onde e como. Lia bastante poesia ultrarromantista, mas nos últimos tempos o simbolismo esteve chamando mais minha atenção. Creio que essas influências em específico sejam relativamente evidentes nas minhas letras; agora, no que tange à sonoridade e atmosfera, varia bastante de faixa para faixa; eu diria que o "Moções Incertas" por inteiro expressa (ou pelo menos tenta, hehehe) um tipo de decadência que pode ser encontrada em alguns contos do Poe, por exemplo. Pessoalmente, algo que me inspira bastante tanto na composição lírica quanto musical é a fotografia. Sempre tenho alguma paisagem ou imagem em mente quando envolvido no processo de produção de algo. As capas que acompanham faixas ou álbuns meus têm o propósito de adicionar significado à música, ao invés de só estarem lá porque o Bandcamp exige. Para mim, a fotografia consegue captar diversas atmosferas, momentos, sentimentos, etc., de um jeito diferente de uma arte como a poesia (não que um seja melhor que o outro, são apenas diferentes). É algo bem similar com a pintura nesse aspecto.


A música, sem dúvidas, é um dos melhores modos de dar vazão às mais densas e sombrias emoções. No meio do Depressive Black Metal isso se torna ainda mais característico. Além de tocar e cantar, vocês costumam realizar outras atividades para amenizar o estresse do dia a dia?

F.R.: Em meu pouco tempo livre, gosto de ler livros e histórias em quadrinhos, desenhar, jogar Magic: The Gathering, ou apenas tomar um café observando os pássaros na grama. Mas são raros esses momentos em que eu não esteja, de alguma forma, fazendo música.

Yakoushi: Apenas coisas relacionadas a hobbies meus, mas não sei se isso pode ser considerado algo para amenizar o estresse. Não tenho tanto estresse em geral — meu estresse é mais "pontual", por assim dizer. Coisas específicas que me estressam, ao invés de ser um estado presente cotidianamente, até porque minha rotina é bastante parada e neutra, então nem sempre há algo ocorrendo que me deixe nervoso assim. Duas coisas que faço regularmente é ficar garimpando artes de animes e jogos pela internet e editar pelo Photoshop fotos que tiro; há também coisas relacionadas à música que não se restringem à produção dela em si, mas acho que isso qualquer um que está inserido mais intimamente no meio musical faz naturalmente, então não conta. Agora, para especificamente aliviar o estresse, costumo caminhar, ficar mais isolado que o normal de pessoas, navegar sem rumo pela internet e/ou beber café (que é um dos métodos que mais costuma funcionar).

 

Atualmente, os Transtornos Mentais estão ganhando mais atenção, devido aos altos índices de pessoas que padecem e mesmo chegam à morte em decorrência destes males gravíssimos. Vocês creem que as pessoas em geral, de fato, estão se importando mais umas com as outras, ou esse cuidado ainda é apenas de quem passa pelo mesmo e por fim acaba criando um círculo de ajuda entre pessoas que também são ignoradas e estigmatizadas pela sociedade?

F.R.: Acredito que há sim um aumento de pessoas que dão mais atenção a esses transtornos, devido à grande quantidade de informações que podemos ter sobre isso hoje em dia. Mas, ainda assim, é um aumento modesto, que ainda é nebuloso entre toda a ignorância que há sobre este tema, ainda mais em nosso país.

Yakoushi: Eu aposto no segundo caso. É muito raro ver alguém que se importa com uma pessoa passando por dificuldades relacionadas a transtornos mentais sem que esse alguém em si tenha passado por algo similar. A verdade é que a maioria não está nem aí para você. A celebridade que publica algo nas redes sociais sobre esse tipo de assunto pode tanto estar tentando de fato ajudar quanto tentando dar uma de bom samaritano para manter uma imagem (como tanta gente faz no Setembro Amarelo, por exemplo), a questão é que é muito difícil ela conseguir se importar contigo como indivíduo, pois ela muito provavelmente não te conhece e não tem nenhum laço pessoal com você. Para a mídia e para pessoas que não nos conhecem individualmente, se cometermos suicídio, seremos uma vítima que entrou para a estatística e nada mais. E não estou falando que deveria ser diferente, até porque é impossível ser diferente; esse tipo de coisa está além das capacidades das pessoas. Meu ponto ao falar isso é que eu não consigo crer que as pessoas estão verdadeiramente se importando mais umas com as outras, elas estão apenas tocando no tema dos transtornos mentais com maior frequência e abertura (o que já é ótimo, sem dúvidas). Claro, conforme as pessoas compreendem a questão das desordens psicológicas fica muito mais provável de elas desenvolverem uma empatia maior por quem é acometido por isso, no entanto, falarmos mais sobre isso não necessariamente implica que as pessoas estão se importando mais com indivíduos passando por dificuldades. É só ver como quem se automutila ou tem cicatrizes visíveis por conta desse tipo de prática é malvisto pela vasta maioria das pessoas que não entende nada sobre. Você vai ao mercado de camiseta e tem gente te encarando com olhares assustados ou de desprezo. O progresso em relação a essas coisas é muito lento na sociedade, e nada indica que isso mudará.

 

Nos dias atuais, fazer música se tornou algo mais acessível. Se encontram diversos softwares, instrumentos virtuais, e até celulares onde se pode usar como microfone, facilitando a quem tem pelo menos um conhecimento básico para compor, tocar e cantar vir a criar seu próprio projeto. Inclusive, de forma solitária. Vocês já fizeram parte de alguma banda com vários membros? Se sim, como foi essa experiência? E, se não, vocês se sentiriam à vontade para fazer parte, mesmo que não fossem pessoas do seu círculo de amizade?

F.R.: Já participei de dois projetos com alguns amigos. Porém, não eram de estilos que gosto. Foi uma experiência divertida, mas nada produtiva para mim (no âmbito musical).

Yakoushi: É meio difícil responder a primeira questão, já que "fazer parte" é algo meio incerto à minha visão. Em 2019 eu fui guitarrista de uma banda de Black Metal da minha cidade por exatos dois ensaios, então não sei se dá para dizer que "fui parte" da banda. Fora projetos em que sou só eu e outra pessoa, acho que apenas participei de fato da Fentanil mesmo. Minha experiência na Fentanil foi ótima. Era algo bem tranquilo, nunca houve qualquer tipo de pressão ou limitação e sempre havia compreensão e colaboração entre os membros. Acabei aprendendo um bocado com minha participação na banda, já que eu experimentava bastante nos vocais (o que acabou rendendo alguns momentos em que acho que vacilei no canto, mas faz parte, né). Quando trabalhando com outras pessoas no meio musical eu procuro ser complacente justamente para favorecer um ambiente sossegado.

 

O DSBM é relativamente um subgênero novo no Metal Extremo, porém já se encontra alicerçado e com uma cena expressiva. Vocês se lembram de como ele chegou até vocês? E quais foram as bandas que os apresentaram a este tipo de música tida como a mais depressiva do Metal?

F.R.: Conheci o DSBM através de um amigo, que me apresentou ao estilo quando eu tinha 16 anos. Sempre gostei do metal atmosférico, então fui imediatamente atraído para este tipo de música. Comecei com bandas como Lifelover, Silencer, Nocturnal Depression... e logo estava imerso nas atmosferas que moldam o DSBM.

Yakoushi: Incrivelmente, meu primeiro contato com o Black Metal foi logo com o DSBM. Lembro que lá em meados de 2016 eu frequentava um blog chamado Warriors of the Metal Horde (ou algo assim), e acabei caindo em uma publicação sobre o Happy Days um dia. Ouvi a demo "Alone and Cold" e imediatamente fui atraído. A partir daí fui pesquisando mais bandas, inclusive de outras vertentes do Black Metal. As bandas que eu mais ouvia no começo, se não me falha a memória, eram Happy Days, Lifelover, ColdWorld, Leviathan e Silencer. Algumas delas eu parei de escutar há tempos, como Leviathan, ColdWorld e Happy Days, outras continuo a ouvir bem frequentemente, tipo Lifelover.

 

O Brasil é um país muito grande, com um povo diversificado e uma rica cultura. Vocês acompanham as regionalidades, seja música, dança, teatro, culinária e literatura? Se sim, o que poderiam nos indicar do seu estado?

F.R.: Não tenho tanto contato com a cultura de minha região quanto gostaria, mas o Paraná (e todo o Sul) é conhecido pela diversidade cultural, fruto das grandes imigrações que houveram, vindas principalmente da Europa e da Ásia, além da própria cultura indígena já presente na região. E o barreado de Morretes é um prato que faz jus à fama que tem.

Yakoushi: Não vou atrás de absolutamente nada da minha cidade/estado com o propósito de descobrir algo relacionado à cultura daqui. Não que eu me recuse ou algo assim, apenas não fico prestando atenção nesse tipo de coisa. O que consumo e acaba sendo daqui é puramente por acaso ou familiaridade. Mas tem um livro bem legalzinho de um professor de física aqui da UEPG chamado Gerson Kniphoff da Cruz; o livro é: "A criação do conhecimento real exterior".

 

Vocês são multi-instrumentistas, além de compor e cantar também. Qual (ou quais) é o instrumento favorito de vocês? E há algum que vocês ainda não tocam mas gostariam de vir a aprender tocar?

F.R.: Meu instrumento favorito é o baixo. Foi o primeiro que aprendi a tocar, e é o que tenho o maior domínio. Mas, gostaria muito de aprender alguns instrumentos de corda clássicos de uma orquestra, como o violino e o violoncelo.

Yakoushi: Meu instrumento favorito para tocar é guitarra porque é o único instrumento que tenho, hehehe. Mas para ouvir, gosto bastante de: baixo, violino, violoncelo, sintetizadores, xilofone e banjo. Que não tenho mas gostaria de aprender a tocar... Violino, um sintetizador ou teclado e violoncelo. Mas eu só queria mesmo era um amplificador melhor para a minha guitarra... O que tenho aqui no momento é sofrível. Ter um baixo e um violão seria interessante também. Atualmente estou com um baixo emprestado de um amigo, mas é uma sensação diferente de ter um instrumento que é verdadeiramente seu, sabe? Seria bem da hora se eu aprendesse a cantar também (hue).

 

A cena nacional de DSBM tem se mostrado forte e há uma boa interação entre fãs e artistas. Como é o contato de vocês com essa galera, tanto fãs quanto outros artistas do meio?

F.R.: É excelente. No início do Unguilty, não tive quaisquer pretensões de ser ouvido, apenas quis fazer música. Mas com o tempo, os ouvintes foram aumentando. Interagindo com a banda. E isso tudo é muito estimulante. Por isso, hoje, tenho grandes planos para o futuro da banda, e espero fortalecer ainda mais minha relação com estes que apreciam minha música.

Yakoushi: Eu — até onde sei, ao menos — geralmente acabo tendo contato com o pessoal que acompanha o que faço. Algumas pessoas comentam regularmente nas coisas que lanço no YouTube e eu procuro sempre responder, apesar de que por algum raio de motivo o YouTube às vezes parece apagar sozinho alguns comentários; não é raro eu receber notificação de comentário e, ao ir checar, ele simplesmente não estar lá. Uma parte considerável de quem eu sei que acompanha o que faço é composta de amigos meus, então uma hora ou outra há interação direta. Sou muito grato a quem escuta minhas músicas, já que sem essas pessoas meus projetos meio que nem existem. Meu contato com outros artistas do meio é bem limitado. Varia bastante, na real. Tem gente que eu conheço e interajo pouco por ser naturalmente mais fechado e optar por ficar fazendo minhas coisas sozinho na maior parte do tempo; tem gente que eu conheço por nome, mas nunca troquei uma palavra sequer de maneira direta, enfim. Eu acabo nem prestando muita atenção nisso; não vou ativamente atrás de estabelecer contato com quem não conheço, se isso acontece ou não é por acaso ou pelo desenvolvimento natural das coisas mesmo. Mas a galera com quem tenho contato é muito gente boa.

 

Como ouvinte e apreciador da música, qual é o ponto de vista de cada um de vocês em relação a música mundial? Vocês acreditam que com esse amplo acesso atual a música se tornará saturada, já que há muitas pessoas fazendo música praticamente todos os dias, ou é o oposto e justamente pela alta demanda dos ouvintes que mais artistas estão surgindo para suprir essa necessidade?

F.R.: Não tenho um pensamento formado sobre isso pois é um assunto muito complexo. Mas no geral, sou otimista. Acredito que essa facilidade em produzir música pode revelar grandes talentos, que poderiam não aparecer em outro cenário. E que mesmo com a saturação em quantidade de músicas, os ouvintes sabem reconhecer os bons artistas. Mas, também penso que esse grande movimento na música, de maneira desordenada, pode desgastar os artistas e ouvintes, dificultando o surgimento de bandas emblemáticas e inovadoras, como haviam em maior quantidade antes.

Yakoushi: Ao meu ver, isso é algo extremamente difícil de definir, já que depende de inúmeros fatores em relação a várias coisas que rodeiam essa questão. Além de que você terá respostas diferentes de pessoas diferentes em momentos diferentes. Para alguns, o DSBM, por exemplo, já está saturado, enquanto que para outros o gênero ainda tem muita história pela frente. Eu diria que é mais uma questão de saber do que você gosta e encontrar alguma forma de apreciar diferentes coisas de diferentes modos. Eu costumava não curtir muito Black Metal “genérico” (como se essa palavra significasse qualquer coisa), mas nos últimos tempos aprendi a apreciar esse tipo de coisa. Achar música inovadora e diferente é muito interessante e gratificante, sem dúvidas, mas às vezes a gente tá afim de ouvir algo mais “básico’’ mesmo, é normal. Eu já fui crítico de projetos de DSBM que seguem determinado padrão, mas quer saber? Por mais que eu possa acabar não gostando do produto final, da música em si, hoje em dia eu acho completamente fascinante o que está por trás daquilo. É uma expressão totalmente genuína e honesta, e o artista está colocando para fora tudo o que ele tem dentro dele. O Black Metal é para isso mesmo, para dar vazão a esses sentimentos e ideias da forma que a gente bem entender. Se você gosta ou não de X projeto ou banda, é algo para você mesmo apenas, pois o ponto do cara por trás daquilo é puramente expressar o que ele quiser, e isso é o que importa no final. Se você tem algum sentimento, ideia, ou qualquer coisa que seja e não tenha acesso à pomposidade de um estúdio e equipamentos dignos de uma banda de Power Metal, o Black Metal te acolherá de braços abertos. Isso que é o Black metal para mim: liberdade artística para fazer o que você quiser da forma que você quiser. É uma forma de expressão genuína e às vezes até meio intimista, pois o artista muitas vezes expõe ali coisas que ficam obscuras à cotidianidade, coisas que só podem ser expressas por meio daquela música. É algo quase transcendental, e eu acho isso admirável. Eu poderia até mesmo comparar essa característica do Black metal à criação de um canal no YouTube. Se você quiser criar seu canal e começar a produzir conteúdo, você pode, a plataforma está livre para isso. Agora, a edição, o tipo de conteúdo, a regularidade com que ele é feito e todo o resto, isso fica à sua escolha. Não tem uma câmera ou microfone profissional? Tudo bem! Faça da forma que você puder, pois o canal é inteiramente SEU. Se as pessoas vão assistir ou não, se elas vão gostar ou não, tanto faz, desde que você esteja fazendo aquilo com honestidade, porque isso é o que importa no fim.

 

Considerações finais.

F.R.: É sempre ótimo fazer parte de entrevistas e outras atividades aqui na DSBM Brazil. Agradeço a todos aqueles que ouvem minha música. Aguardem por grandes novidades no futuro do Unguilty.

Yakoushi: Agradeço muito à página por essa oportunidade de ser entrevistado, agradeço a qualquer um que ouça minhas músicas e a qualquer um que está inserido ativamente na cena DSBM, seja apoiando os artistas de qualquer forma, seja divulgando bandas e projetos, seja produzindo algo. Vocês mantêm isso aqui vivo e andando. Gostaria de avisar também que tem coisa nova do Nattag por vir. Não estipularei datas, mas o que tenho por certo é que sairá este ano. Muito obrigado.


Vocês podem acompanhar os lançamentos e informações de Unguilty e Nattag em suas respectivas plataformas e redes sociais.

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sábado, 29 de julho de 2023

Autópsia Lírica II

 


Dysmorphophobia é uma canção da banda italiana Dreariness. A letra explora o tema da dismorfia corporal, uma condição de saúde mental em que o indivíduo tem pensamentos obsessivos e preocupações sobre sua aparência, frequentemente percebendo falhas que não são visíveis ou são insignificantes para os outros. Na letra, o indivíduo retratado é uma mulher, jovem, e que está lutando com essa condição, retratando suas emoções intensas e a percepção distorcida de si mesma. Os primeiros versos, "Eu injeto mais uma vez esse oceano em minhas veias", expressa metaforicamente o ato de se injetar com pensamentos negativos e autocríticos que a consome. A referência a um "oceano" sugere a natureza dominante desses pensamentos. A linha "Duas garras arranham minha garganta e me deixam em feroz desespero" expressa a agonia interna da jovem, as "garras arranhando sua garganta" simbolizam os pensamentos autodestrutivos afiados e dolorosos que causam danos físicos e emocionais. Essa dor é intensificada com a imagem de sangue e desespero. A linha seguinte, "Uma canção de ninar me leva à loucura" transmite a natureza cíclica da condição, onde a jovem encontra um estranho conforto, ou uma certa familiaridade, na sua percepção distorcida de si mesma. A menção de ossos se transformando em pó representa o desmoronamento e deterioração de sua autoimagem. Conforme a música avança, as emoções da jovem se intensificam. O desejo de salvar a pessoa presa dentro do espelho mostra seu anseio por escapar das limitações de sua própria mente. Os pedidos repetidos por cura e injeção de felicidade destacam seu anseio por alívio de seus pensamentos dismorfóbicos. "O espelho se quebra, ela está morta/Sua imagem lá/Ela está morta!", a quebra do espelho e a declaração da morte da pessoa significam a morte simbólica da imagem distorcida que ela havia criado de si mesma. Isso pode representar um ponto de virada na música, sugerindo uma possível ruptura da dismorfia ou uma constatação de que sua autopercepção não é a realidade. A frase repetida "Tudo queima instantaneamente, tudo se desmorfa" enfatiza a angústia e o caos vivenciados pela jovem. Reflete a luta constante que ela enfrenta, já que sua percepção distorcida distorce sua realidade, queimando qualquer imagem positiva de si mesma. No geral, Dysmorphophobia oferece uma exploração sombria e introspectiva do tormento emocional e psicológico causado pela dismorfia corporal. Lança luz sobre a batalha interna enfrentada por todas as pessoas que vivenciam essa condição, destacando o apelo desesperado por cura e libertação da percepção distorcida de si mesmas.

O Fantasma de um Rancoroso Passado é uma canção da banda brasileira de Lamúria Abissal. A letra transmiti uma história de intensa raiva e ressentimento em relação a alguém do passado. E retrata o retorno dessa pessoa, causando desconforto e até mesmo dor física ("Sua presença já me range os ossos") ao indivíduo. Ele expressa sua raiva avassaladora e a dificuldade de lidar com essa pessoa cuja pesou-lhe mágoas no passado e que segue ressoando no presente. A música destaca noites sem dormir cheias de desabafos e tentativas condenadas de recomeçar, caindo em um ciclo destrutivo. Os dias são descritos como cheios de dor, remorso e constrangimento devido à presença persistente dessa pessoa. O trecho "Ó odioso ser de minha convivência/O fantasma clamante por voltar a estar vivo/Reviver o ódio, o amado sentimento retroativo" expressa como o indivíduo se sente em relação à pessoa que lhe conferiu mal, e que sua volta só vai remoê-lo ainda mais em um ódio imensurável. O retorno das emoções desprezadas, dos sentimentos sufocados e da passagem monótona dos dias presos nessa dança de dor em que eles repetidamente se envolveram, é trazido cruamente à tona, outra vez. A linha "Um dia fora algo, foi tudo, meu mundo/Agora não pode ser nada, tem que ser menos, esquecer tudo" explora um passado em que essa pessoa tinha importância, mas agora ela deve ser esquecida e descartada como nada. O indivíduo lista tudo aquilo que ela fez a ele, "Você me fez chorar/Me fez parar/Parar de falar/Você me fez gritar/Me aquietar". E reforça na linha seguinte, que sua volta, ainda que se mostre arrependida, não terá resultado algum senão o fim, desta vez, de uma vez por todas. "Você escapuliu de meus dedos, de escolhas que você fez/De coisas que você disse/De coisas que você fez e agora chora por eu ter chorado". E no trecho seguinte "Encho seu tumulo com minhas lágrimas e a muito custo/Te sepulto em meu desdém" o indivíduo afirma que, ainda com alguma relutância, enterra finalmente, e metaforicamente, este fantasma do presente manchado pelos resquícios de um passado amargo em um cemitério, enfatizando que não há chance de seu retorno. Nas próximas linhas há uma mudança de tom. "O vento que sopra agora em meu rosto/Limpando as lágrimas/Varrendo o cansaço/Secando minha feição, tão morta e exausta/De coisas que você disse, de coisas que você fez". O vento simboliza uma força purificadora, limpando as lágrimas, dissipando o cansaço e restaurando uma aparência morta e exausta. "A memória mais bonita, foi ter ido embora e deixar você morrer". As memórias do que essa pessoa disse e fez, embora antes significativas, agora são vistas como uma bela lembrança apenas porque ela partiu. "O perpetuar de sua morte, seria mais intenso te vendo me matar/Pelo amor que te dei, respondido com memórias de desdém". Ele deseja que a ausência da pessoa continue de forma perpétua, ainda que isso signifique testemunhar sua própria ruína. No geral, O Fantasma de um Rancoroso Passado mergulha nas complexas emoções de raiva, ressentimento e um árduo desejo de encerramento definitivo daquilo que se iniciou no passado. Destaca como muitos relacionamentos se baseiam em um amor dado por uma das partes, mas, que sendo correspondido com indiferença, se transforma em memórias de desprezo que se estendem por anos a fio. 

Transtorno Depressivo Maior é uma canção da banda brasileira Funesto. Ela explora um transtorno mental caracterizado pela redução drástica das emoções de alegria, bem-estar e prazer. Comumente chamado de depressão, o Transtorno Depressivo Maior é um transtorno mental que afeta as áreas cognitivas, fisiológicas e comportamentais da pessoa. É marcado pela baixa autoestima, pela perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, pela pouca energia e fadiga constante, dores físicas sem uma causa aparente, desânimo persistente, sentimentos de inutilidade, vazio, culpa ou/e irritabilidade. Ainda, reduz a capacidade de pensar, de se concentrar, memorizar ou de tomar decisões. Ocorrem alterações do sono (mais frequentemente insônia, podendo ocorrer também sonolência excessiva ou sono interrompido), alterações do apetite (mais comumente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite). Somando-se ainda o retraimento social (isolamento social), chorar mais e com maior frequência, lentidão física generalizada, ou agitação psicomotora. Entre as consequências graves, há ocorrência de comportamentos autodestrutivos (autoagressão), pensamentos suicidas e tentativas propriamente ditas de suicídio. A letra evidencia o peso que o indivíduo carrega, a luta que trava diante desse inimigo que está em sua própria mente. "E nesse abismo de sofrimento/O suicídio não sai da minha mente/Por que?" é uma constatação que o indivíduo faz, e também uma indagação dosada em dor e revolta. Transmite um sentimento de desespero e um desejo de libertação das lutas da vida. O indivíduo tem pensamentos recorrentes sobre a morte. "Corda em volta do meu pescoço, o que me resta?", o questionamento da situação em que se encontra é constante, e enfatiza também que ele está só, em isolamento, está apenas consigo mesmo e mais ninguém. A ideia de findar com sua dor é a única coisa que paira em sua mente. Ele retrata seu estado mental e sua disposição para tomar medidas extremas pois já está em seu limite. "Eu não aguento mais essa dor/Me deixe morrer/Eu quero morrer" sugere a deterioração da condição mental e física do indivíduo. Ele se sente esgotado, exausto da luta constante e pronto para sucumbir ao seu destino. Clama a si mesmo para que não haja qualquer relutância, apenas que se deixe morrer. No geral, Transtorno Depressivo Maior retrata os temas de desesperança, desespero e pensamentos de suicídio presentes na depressão. Apresenta um vislumbre da mentalidade de alguém que considera o suicídio, lançando luz sobre a turbulência interna e o impacto que tal decisão tem sobre o próprio indivíduo exausto fisica e mentalmente.

When Your Mind Is A Prison é uma canção da banda brasileira Neural Oestridae. A letra explora temas como encarceramento mental, desesperança, resignação e vestígios niilistas.  Ela começa com o indivíduo constatando duramente que não há mais esperanças pois ele se encontra preso dentro de si mesmo. "Não há refúgio, quando sua mente é a prisão/Não há esperança quando você já está morto por dentro/Você tenta, e tenta/Mas é sempre em vão". A luta a qual ele percorreu por muito tempo, não resultou em nada. Se sentir morto por dentro é uma maneira de dizer que não há mais a chama da vida, alegrias e prazeres. Tudo definhou e se apagou. As suas tentativas de prosseguir e tentar reviver algo de bom em si mesmo, foram em vão.  No decorrer da música ele expressa que sua dor cresce ainda mais por perceber as mentiras que arrastou durante sua vida toda. "Você alimenta aquelas pequenas faíscas de felicidade/Mas elas sempre se vão/Uma vida inteira baseada em mentiras". O indivíduo passou sua vida injetando mentiras e ideias de que a vida fosse melhorar, numa tentativa de acreditar realmente naquilo, mas, a dureza da existência só mostrou que aquilo era uma tolice, um crime que cometeu contra si mesmo. Há uma mágoa muito grande gerada, e contra si mesmo, por se iludir completamente. A linha seguinte "Uma existência que deveria ser extinguida/Confrontar sua existência, quando sua mente é uma cadeia de pensamentos negativos" destaca que ele tentou fazer uma autorreflexão, olhar dentro de sua própria escuridão, confrontá-la, mas, as respostas só poderiam ser duras e carregadas de negatividade pois é tudo o que há dentro de si. No decorrer das próximas linhas ele, então, chega ao ápice. "Saber a verdade sobre si é algo, no mínimo, assustador/Ainda mais quando a verdade, a inevitável verdade.../É que você se odeia". Confrontar a si mesmo, retirar todo o véu que o impedia de enxergar o seu próprio eu, ou até mesmo intencionalmente ele evitava de ver embaixo, o leva a uma dura confirmação: a de que ele se odeia. A dor que o tempo impôs, deixando-o sem qualquer propósito, serviu como uma armadura por um tempo. O privou de se auto desprezar. Ele vestia uma roupagem em que, em meio à dor, podia se alimentar com alguma chance de alívio. Isso se manteve por algum tempo. Mas, no dia em que confrontou a si próprio enxergou que, na verdade, abaixo da dor havia uma base sólida de auto-ódio. A linha segue enfatizando que ele odeia tudo porque nada gera algum significado para ele. "Odeia tudo pois nada tem valor para você/Você não ama, mas finge amar/Pois isso é um sentimento humano, mas é patético...". O amor, um sentimento tido como puro, nada mais é do que algo imposto pelo coletivo, fazendo com que as pessoas digam que amam umas às outras, meramente, por hábito. O próprio amor foi uma máscara por cima do auto-ódio que ele finalmente enxergou. Sua vida foi baseada em mentiras e falsas emoções e sentimentos. No geral, When Your Mind Is A Prison destaca em como um indivíduo pode ficar enclausurado por muito tempo devido aos seus próprios mecanismos internos para que não enxergue a verdade. Mas, uma vez exausto de tentar aliviar sua dor, ele olha para dentro de si e enxerga o real motivo de tanto infortúnio, ele mesmo se odeia. E esse sentimento cria um ciclo de autodestruição, onde falsas emoções entram em jogo para tentar mascarar as reais e cruas emoções. Confrontar a si remonta algo proferido pelo filósofo niilista Friedrich Nietzsche, de que quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você. E, obviamente, esse olhar é sempre aterrorizante pois sujeita o indivíduo a ficar diante de seu Eu cru, real e incivilizado.

Vazio é uma canção da banda brasileira Alivium. A letra explora a fadiga mental, a desesperança e apatia. As linhas iniciais expõem o cansaço do indivíduo, aqui expresso como uma jovem. "A vontade de permanecer nesse quarto/Dia após dia /Se tornou maior...". Ela desabafa em como suas vontades se fecham a uma só, a de permanecer em seu quarto, isolada, longe de tudo e de todos. A cada dia que passa esse é o único desejo que cresce. O trecho "E a cada dia de minha agonia é um dia a menos" simboliza sua enorme desesperança. Ela tenta se agarrar ao fato de que a cada dia que se passa, também traz a morte mais para perto. Um dia a mais, na verdade, se torna um dia a menos de vida. Sua agonia é um fardo do qual ela anseia desesperadamente pelo fim, ainda que o fim dessa agonia seja também o seu próprio fim. A letra avança chegando à apatia. A jovem está tão imersa em sua agonia, afogando-se dentro de si, que nada mais externamente a faz reagir. Há uma inércia que a petrifica. "As luzes acesas já não refletem em mim" simboliza a total escuridão interior que a acomete. Alegrias e prazeres foram consumidos por essa escuridão e nada mais resulta em estímulos para que ela possa ter algo positivo ou se sentir melhor. Ao final ela demonstra sua aceitação perante a esta escuridão que a abraça friamente, "Mergulhada em tristeza e solidão/A vontade de ir embora/Já não importa.../Estou entregue à escuridão... ". Sua resignação perante a escuridão se dá com a morte definitiva de seu importar. Ela se afundou em tristeza e solidão e lutar para emergir não é uma opção mais. Seu cansaço ultrapassou todos os limites, assim fazendo-a simplesmente não se opor à completa imersão na escuridão. No geral, Vazio avança na desesperança de alguém que diante da perca dos prazeres, se vê apenas num ciclo de aflição do qual aguarda o único remédio capaz de trazer alívio definitivo: a morte. A fadiga e a exaustão chegam a fronteira final, e neste ponto a resignação é a única escolha disponível.

Idealiza​ç​ã​o é uma canção da banda brasileira Nattag. A letra explora a desesperança, o distanciamento emocional e faz uma livre expansão de sentimentos e pensamentos íntimos. A primeira seção/estrofe expurga um desalento e solidão por parte do indivíduo. "A discursar pelos ecos do gélido oceano/Espalhando acontecimentos atemporais pelo anoitecer/A perder-me na névoa de expectativas, percebo ser um mero engano/Um escudo contra envolvimentos do afastamento - eis o romper". "Gélido oceano" simboliza a vastidão de sua vida, fria, inerte, onde ele fala com ninguém além de si mesmo, expressado pelos "ecos" que nada mais são do que suas próprias falas repetidas e ouvidas pelo próprio indivíduo, enfatizando também a sua solidão. Ele percebe que todas as suas expectativas foram alimentadas em vão, com ele próprio perdendo-se entre elas e sentindo-se enganado. O indivíduo constata ainda que se tornou uma espécie de armadura, um escudo contra possíveis relacionamentos interpessoais, afastando a si mesmo de tais envolvimentos. As linhas seguintes evidenciam sua luta para com sentimentos conflitantes. "Uma instância de brandura e a dúvida se concretiza/Com relutância em agrura, absorvida é a ojeriza/A ter uma emissão de prantos ressentidos". Uma pequena brecha para gestos afetuosos traz rapidamente a incerteza se aquilo é de fato sincero. E, mesmo com resistência por parte do indivíduo, o desamor, a antipatia acaba por tomá-lo. Esses sentimentos ainda evocam consigo mágoas e amarguras. A sua ânsia em poder estar com alguém é demasiada, mas, ele conclui que isto não passa de meros devaneios. "Ansiando lacrimar aos braços d'alguém/Porém há-me apenas sonhos, e nada além". As linhas seguintes começam expressando uma certa serenidade, "O êxtase lamentoso tem seu fim, e um invariável ciclo se fecha/Descansos breves movem-me à margem da paz", onde ele sente que tudo o que o corroía se esvaiu - toda as aflições, finalmente, se encerraram, deixando-o aliviado. No entanto, em seguida ele se questiona "Uma reles ilusão - que direito teria eu de sorrir a outrem?" e conclui "Abro a janela; hei de guardar energia para estar exausto". Sua solidão brada que ele não pode ter o privilégio da presença de outro alguém. E, ele avisa a si mesmo que é melhor guardar alguma energia para enfrentar a exaustão que é certa de se somar, outra e outra vez. A estrofe posterior pinta a imagem climática onde a neve preenche seu quarto, simbolizando a inércia que se assenta ao seu redor, e mesmo um novo dia já é consumido pelo panorama sem cores e ausente de vivacidade. "Coberto agora, exerço a fraqueza definidora das contradições/Cerco-me de idealização, paradoxos e culpa", aquilo que parecia ter sido digerido, ou mesmo aceito forçadamente, anteriormente retorna e desloca consigo a culpa. Ele torna a repensar na companhia de outrem, alimentando qualidades sobre este ente - até então apenas criado em sua mente. "Choro mansamente ao impossível, simulo a posse do afeto", a esta altura, suas lágrimas tendem a ser mais serenas e preenchidas com a imagem de alguém a emitir afeto e ternura. Ele se agarra a esta imagem como pode. No entanto, o verso seguinte e derradeiro torna a trazer uma tristeza ante a conclusão de que, para além do campo imaginativo, essa pessoa nunca será real. Ele poderá se sentir correspondido em afetos apenas em sua morte, pela própria morte, já que em seu âmago ele almeja-a, assim como ela o receberá sem questionamentos ou rejeição. "E no último adormecer, sei que sorrirei à mutualidade de tal emoção.", também pode ser interpretado que somente após a sua morte afetos serão emanados por uma outra pessoa, devido ao luto, a perda do indivíduo. Em vida ele não pode receber um mínimo deste afeto que, provavelmente, poderá ser gerado por alguém após o seu falecimento. No geral, Idealiza​ç​ã​o comunica a ausência de reciprocidade que ocorre, num nível integral, na sociedade. O distanciamento que permeia entre os indivíduos gera emoções penosas levando um indivíduo à clausura de si mesmo. Com mais ninguém além de sua própria companhia, ele passa a nutrir um ente em sua imaginação com qualidades que beiram a perfeição. Esta pessoa idealizada, talvez, possa transmitir aquilo que ele anseia tanto por receber: afeto. Na teoria psicanalítica, idealização é tida como uma espécie de mecanismo de defesa em que o indivíduo atribui qualidades perfeitas, ou quase perfeitas, a outra pessoa ou outras pessoas. Este mecanismo é uma forma de evitar a ansiedade ou os sentimentos negativos como rejeição, desprezo e amargura.