sexta-feira, 15 de maio de 2020

Lançamentos de Janeiro, Fevereiro, Março e Abril de 2020


Aqui constam as bandas e projetos que lançaram material no primeiro quadrimestre do ano (janeiro, fevereiro, março e abril) de 2020.

1. Coronavirus - The End Is Near: Formada por Ash Montag e Henne, esta banda mexicana traz, em primeiro momento, o que poderia ser mais um humor negro em meio ao metal, mas, não, essa impressão (devido ao nome da banda) é deixada de lado pois a musicalidade evoca a dor e a insatisfação pela vida. Embora tenha lançado apenas um single, este teve um alcance extraordinário e o fez por merecer. Baseada em experiências pessoais, Ash canta suas dolorosas angústias e sentimento de perda, pavor, indigestão com a vida e tudo que a cerca.

https://covid19blackmetal.bandcamp.com/track/the-end-is-near

2. Aþigra - Asche zu Asche: Banda alemã que traz em seu EP de estréia uma curta, mas, de certa forma, compreensível história da dissuasão psíquica do narrador lírico que é conduzido do sentimento de intensa dor interior até a sua própria morte. Representando as lutas e inseguranças internas que sufocam o indivíduo - que busca meios de amenizar suas angústias - as canções direcionam até o inevitável, quando o indivíduo se depara com o único remédio eficaz: a morte. A banda lançou no mês seguinte, abril, o 2º EP intitulado 'ENDZEIT' que carrega a sonoridade marcada pelo Asche zu Asche e demonstra que muito mais está por vir.

https://athigra.bandcamp.com/album/asche-zu-asche

3. Melankolium - Joy Turned Foul: Anteriormente com o nome Coilwound, tendo lançado 2 álbuns, neste ano a banda japonesa mudou o nome para Melankolium, no entanto, a densa enevoada sonoridade continua aqui. Com uma atmosfera afundada no desespero humano aliada à intensa ira inerente a todo indivíduo que foi jogado nesse mundo, Lacrimaer - o único membro da banda - traz 5 faixas sufocantes do início ao fim.

https://melankolium.bandcamp.com/album/joy-turned-foul

4. Depressiona - Ano Novo: A música, quando composta com sentimentos genuínos, não precisa necessariamente da parte lírica, de vocais vociferando e clamando angústias, e é isso que este single traz. Pode-se dizer que ele é uma segunda parte do que a banda lançou há alguns anos. Após a canção ‘Feliz Natal’, Depressiona traz Ano Novo e evidencia a sensação de abandono presente nestas datas festivas que, em todos os lugares, há sinais de encontros, trocas de presentes, felicidade e amor. Infelizmente, muitas pessoas não podem experimentar isso que o resto do mundo está vivendo, o que acaba por gerar muita angústia, amargura e dor.  Além disso, é comum as pessoas fingirem se importar umas com as outras somente nessas confraternizações e, no restante do ano, sequer se importarem. Majestosamente, lindamente e, ao mesmo tempo, tristemente a canção nos faz repensar sobre os anos que passamos e que, talvez, ainda passaremos acompanhados, apenas, pela solidão.

https://www.youtube.com/watch?v=vTI4jYrm9go

5. Fentanil - Quarentine: Surgida, à princípio, de forma em os membros pudessem se manter ocupados no período de quarentena que se estende por todo o planeta, essa banda que conta com membros do Brasil e do Japão, traz em sua estréia músicas exalando o peso de ser dominado pelos prazeres momentâneos de substâncias que nos conduzem à alegria artificial, no entanto, as mais próximas do real que muitos indivíduos poderão experimentar, de algum modo. As 3 faixas são bem produzidas e evidencia a qualidade que já se arrasta por lançamentos posteriores.

https://fentanil.bandcamp.com/album/quarantine

6. Midnight Loss - A Perda da Meia Noite: Após lançamentos consistentes e expressando uma evolução sonora, a banda fundada por Neito vêm somar com mais um álbum - o 3º da discografia - mostrando competência e melodias que dosam a melancolia aliada à desesperança pela rotina massivamente cruel.

https://www.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_mjLTFOI9DkSVWgphFSdDIorPAc6FjyWmc

7. Samobójstwo - Suicide Attempt: Oriunda de Breslávia na Polônia, Samobójstwo - que significa ‘suicídio’ em polonês - surge em sua demo de estréia com músicas conduzidas por guitarras minimalistas e bateria cadenciada dando suporte aos vocais ásperos de Denatus que regurgita suas lamúrias, suas insatisfações com a vida, com a sociedade e com o mundo num todo.

https://samobojstwoband.bandcamp.com/album/suicide-attempt

8. Unguilty - Beyond the Black Horizon: Após uma demo e um álbum lançados com qualidade e mostrando o perfeito conjunto do Black Metal com o Doom Metal, a banda brasileira Unguilty segue com seu segundo álbum a expressão pura da dor, da solidão, da misantropia e miséria humana. F.R. dosa belos arranjos de piano com guitarras e vocais pesados e traz à tona como a vida pode ser melancólica e agressiva, nos direcionando a anseios nunca alcançados, à sonhos ofuscados pelo tempo e pela severa realidade. Com doses de existencialismo, as letras são desabafos, mas, também, confrontos consigo mesmo, com o ser interno que, devido às mazelas da vida, se decompôs e perdeu-se em escuras e desoladas trilhas da existência.

https://visionaire.bandcamp.com/album/unguilty-beyond-the-black-horizon

9. Depressão Maior - Leito 167: Com uma produção de baixa qualidade, mas, com foco em regurgitar as mais saturadas emoções, essa banda traz em sua demo de estréia a temática assustadora e, ao mesmo tempo, bastante dolorosa do isolamento em um hospital psiquiátrico onde os pacientes chegam ao ponto de crer que nem sejam mesmo humanos e, apenas, aguardam pela morte como um bálsamo em meio ao inferno que vivem dia após dia. Baseada em sua própria experiência num local assim, Esquivo dosa agressividade com melancolia e evidencia a intensa angústia de um período pavoroso de sua existência.

https://depressaomaior.bandcamp.com/album/leito-167-demo

10. Eternally Riverless - Diving in Melancholic: Uma doce e melancólica viagem sonora é o que proporciona essa banda tailandesa de DSBM instrumental. Atmosfera dosando a triste sensação que nos toma internamente com a densa fadiga que se assenta sobre toda a existência, as canções não deixam de ser belas e, em alguns momentos, nos gerar uma tranquilidade, ou o mais perto disso que possamos ter.

https://www.youtube.com/watch?v=QZhb1xZ7Zbg

11. Kintsukuroi - Calling of Razors/About Emotions: Formada por R.F. Sinister e B.G., essa banda italiana - cuja o nome é uma palavra japonesa (金繕い Kintsukoroi) que, literalmente, se traduz como "reparo de ouro" e se refere a arte japonesa de reparar cerâmica quebrada com laca, ouro ou prata e essa ação trata a quebra e o reparo como parte da história de um objeto, criando algo mais resistente e bonito a partir de feridas e quebras - estréia uma demo com 2 faixas expressivas, e mais 2 sendo versões instrumentais das anteriores. Com o filosófico significado de seu nome unindo-se às letras evocando uma solução, ou algo que possa amenizar o fardo de existir, a banda dosa os instrumentos e vocais gerando uma sombria e densa harmonia.

https://kintsukuroi.bandcamp.com/album/calling-of-razors-about-emotions

12. Frio Insólito - Desespero: Depois de um período vago entre lançamentos, Nícolas Astaroth e Depressiona surgem com o 4º single, trazendo todo o peso da maçante rotina recebendo o soro corrosivo da dor nas veias. Com vocais rústicos imerso em uma sonoridade crua, a banda vocifera a amarga ânsia de despertar e adormecer desejando, apenas, que a vida chegue ao seu fim, o mais breve possível. Possivelmente, um material repleto de mais clamores logo estará por vir.

https://www.youtube.com/watch?v=vRIsMbtORt0

13. Death Mantra - Death Mantra: Solidão, depressão e morte - com toques de tradições líricas do Oriente Médio - são alguns dos temas abordados por esta banda. O mantra da morte é ecoado em cada canção, fazendo jus ao seu nome e, evidentemente, trazendo à tona o insaciável desejo por aquilo que, além de inevitável, é a solução para findar a escuridão da existência.

https://stenchovdeath.bandcamp.com/album/death-mantra-death-mantra

14. Abismika - Marasmo do Subsolo: A banda formada por Alan Joseph e Depressiona vêm trazendo inovação a cada lançamento. Uma evolução que acrescenta mais qualidade e remete o talento dessa dupla. Esse single retrata a dor e o peso de sobreviver quando tudo se esvaiu. Sem sonhos, sem anseios, sem esperanças num amanhã não há muito o que se fazer e, como único recurso, clamar pela morte, implorar por seu abraço, é o que resta. Alan dosa suas falas limpas com seu característico peso vocal gutural que se encontram perfeitamente com os instrumentos. A pintura usada como ilustração da canção se une a um grito silencioso e evocativo que Abismika procura trazer. Uma pintura da artista Käthe Kollwitz, chamada Frau an der Wiege (Mulher no berço), mostra uma mulher posicionada em um banquinho, debruçada sobre o berço do bebê. Sua mão direita toca suavemente o rosto do pequeno ser, quase como se fosse verificar se a criança ainda está viva. A mão esquerda agarra a cabeça em um gesto de desespero e, a quietude do bebê e o tormento da mãe, enfatiza as impressões de exaustão física e emocional nos rostos a ponto de perderem parte de seu reconhecimento e individualidade. E é, justamente, o que a letra da música expressa com precisão.

https://abismika.bandcamp.com/track/marasmo-do-subsolo

15. Descensvs - Inferos Inferae: Seguindo pelos cáusticos caminhos do Raw Black Metal, com crueza e aspereza vocais unidas às guitarras agudas cortantes como navalhas, essa banda traz em sua parte lírica o devastador pesar e a intragável angústia que percorre sobre a vida humana. O pavor, a ira, o desprazer em trilhar as sinuosas vielas da dor e do sofrimento são expostos, como vísceras esparramando-se para fora de um corpo, pelos vocais carregados de furor por ZK.

https://descensvs.bandcamp.com/album/inferos-inferae

16. Abyssal Pain - Meu Sofrimento: Serotonin, único membro a frente da banda, mostrou anteriormente que simplicidade combinada à vazão de emoções genuínas resultam em uma bela expressão musical. Em sua primeira DEMO, ele traz 5 canções que exalam a angústia, a monotonia, a melancolia que permeia os dias e levam o indivíduo a se fechar mais e mais dentro de si mesmo. Traz, ainda, uma faixa inspirada pela banda sueca Lifelover, sendo uma peça bem inserida neste material.

https://www.youtube.com/watch?v=tORXJI0yKv8

17. Lapse - Demo I: Música crua e direta. Nas trilhas do bom e velho Raw Black Metal dosando com a melancolia do Depressive é a junção que essa banda, da cidade norte-americana de Pittsburgh, composta por um homem só, traz em sua demo de estréia unida a muita agressividade sonora com letras que percorrem o auto-ódio, apatia, morte, vazio existencial e a pesada insatisfação pela vida.

https://lapseusbm.bandcamp.com/album/demo-i

18. Pessimista - Sanidade?: Esta banda, que conta com Jaketeme como único membro, já expressou em seus trabalhos anteriores a beleza da música extrema com doses de melancolia. Neste álbum a sonoridade está ainda mais equalizada de forma majestosa, com vocais expressivos vociferando a dor e insatisfação com a vida e tudo o mais ao redor. As temáticas das letras persistem em dosar a dor exposta de forma crua com os desejos ardentes e angustiantes do indivíduo que busca meios de findar com a própria existência, devido às suas dores mentais sufocadas pelo peso de sobreviver em meio a uma sociedade onde a insensibilidade para com o outro se tornou rotineiro.

https://pessimista.bandcamp.com/album/sanidade

19. Sorry... - Bereavement of Existence: Banda da Grécia, terra onde o DSBM não tem tanta expressão, no entanto, esta banda representa muito bem a dor que enclausura os nativos de qualquer local sobre o planeta. Com uma sonoridade carregada de emoção, vocais distantes, mas suficientes para refletir o sofrimento inerente ao indivíduo, este álbum é a voz daqueles que se encontram sob angústias infindáveis e total isolação do mundo que os cerca.

https://sorrydsbm.bandcamp.com/album/bereavement-of-existence

20. Nihilistium - Nihilistium: Formada unicamente por Mörtemiis, esta banda é a expressão da beleza que o metal negro pode gerar. Com riffs minimalistas unidos aos vocais enevoados da vocalista, ela traz a revolta lírica em meio ao desespero de sobreviver em uma existência onde nada perdura, exceto a dor. Neste lançamento, além de faixas autorais, que se mantém com peso e melancolia dos anteriores, ela traz um cover muito bem executado de Suicide of My Mind da banda Araxas, e um cover da banda Darkthrone como homenagem a uma de suas influências como musicista. Ainda, tem uma versão ao piano da canção A Solution Called Suicide, lançada anteriormente, que gera uma suavidade e, ao mesmo tempo, uma carga emocional profundamente melancólica.  

https://nihilistiumdsbm.bandcamp.com/album/nihilistium

21. Morphine - Dysphoria: Mais um belo lançamento desta banda inglesa formada por The Patient. Dor, ódio, tristeza, amargura que resultam em uma expressão genuína e envolvente. A insatisfação com as imposições da sociedade, dos familiares e pessoas ao redor, nos impulsionado a uma vida forjada, mascarada e suprimida onde a vontade alheia tende a ditar quem deveríamos ser, ao invés de sermos nós mesmos por nós, é expressado majestosamente neste álbum.

https://morphinedsbm.bandcamp.com/album/dysphoria

22. Haldol - Tanatopraxia: Tanatopraxia - que se refere ao procedimento que consiste na preparação de um cadáver para o velório ou funeral, assim o corpo não sofrerá, pelo tempo solicitado pelos familiares, a decomposição natural - une o sombrio com a arte inevitável que é a morte. Arte, pois, ela nos mostra a beleza do fim, daquilo de que não podemos escapar, embora, por vezes, tentamos adiar. E, ainda, nos faz se lembrar que, ao final da vida, não passaremos de um amontoado de carne que estará aos cuidados (ou não) de quem lida com esses serviços. Caminhando pelo Depressive Rock/Narcotic Metal, esta banda soma mais um single e deve, em breve, lançar um material completo trazendo mais músicas nitidamente sombrias e grandiosas.

https://youtu.be/bASb6HrJ-bE

23. Entardecer - Days Not Lived in a Letter: Banda brasileira de uma mulher só que ecoa melancolicamente, através da instrumentação muito bem executada unida aos vocais amargurados de Astratta, canções que transcrevem, de forma genuína, as angústias palpáveis que permeiam toda a existência humana.

https://solsticiorecords.bandcamp.com/album/days-not-lived-in-a-letter

24. Catalepsia - Decadencia Urbana: Álbum de estréia da banda mexicana que expressa a monotonia urbana e a vida devastada pela solidão no cotidiano dos seres humanos. Além de faixas autorais, o álbum traz dois covers da banda sueca Lifelover e, ainda, conta com a participação de 1853 (ex-membro da Lifelover) nos vocais em uma das faixas de autoria própria.

https://catalepsiamx.bandcamp.com/album/decadencia-urbana

25. Funesto - O Dia Em Que a Morte Nos Levará: Banda merecidamente reconhecida, não só no país, mas, também para além deste, como uma das mais expressivas no meio. Mais uma vez, Fúnebre traz a beleza instrumental neste single, dando vazão à melancolia inerente e característica de suas canções. Já foi demonstrado que com vocais agressivos imersos em melancolia, bem como em canções completamente instrumentais, a dor, a fadiga existencial e os dissabores da vida podem ser expressos de forma consistente. Este single instrumental vem para agregar mais um belo trabalho em sua discografia.

https://funesto.bandcamp.com/track/o-dia-que-a-morte-nos-levar

26. Potemtum And Solitude - Goodbye My Lover!..: Descrevendo a si mesma como 'Dream Black Metal', esta banda traz a junção de sons etéreos com o furor do Black Metal resultando em uma sonoridade, de fato, onírica. Trafegando pelo Depressive e Post Black Metal, as canções que preenchem este álbum são repletas de melancolia e suavidade que conduzem o ouvinte a sonhar por coisas as quais nunca poderá, realmente, obter, pois, até o mesmo o amor, tido como eterno, tem seu final. 

https://potemtum-colombia.bandcamp.com/album/goodbye-my-lover

27. Autoquíria - Antes que Você me Esqueça: No Depressive Black Metal a autenticidade dos sentimentos e emoções é a guia que conduz os músicos. Autoquíria traz isso majestosamente neste álbum que tem por intuito ser uma homenagem a avó de Érdos. Triste e, ao mesmo tempo, belo ele reflete da primeira até a última canção os sentimentos de pesar e saudade por quem lhe trouxe momentos de alento e tornou sua existência menos dolorosa, de alguma forma.

https://solsticiorecords.bandcamp.com/album/antes-que-voc-me-esque-a

28. ColdWorld - Soundtrack To Isolation: Esta banda já tem sua história muito bem construída no DSBM. Com uma sonoridade envolvente e que irradia uma profunda melancolia, G.B, novamente, traz todo seu talento e expõe suas emoções neste single instrumental. O uso, que se tornou característico, do violino é esplêndido e soa uma bela e triste melodia que faz jus ao seu título e mantém o ouvinte, de alguma forma, acalentado em seu isolamento, quer queira voluntariamente ou não. No mês de abril e de maio mais duas faixas foram lançadas como singles, e ambas mantêm a peculiaridade desta banda alemã de um homem só.

https://coldworldofficial.bandcamp.com/track/soundtrack-to-isolation

29. Winterkind - Das Leiden Eines Verstorbenen Leibs: Banda alemã que estréia com um EP repleto de amargor, sentimento de abandono, rejeições e traições. A revolta interna e externa pela vida, pelos relacionamentos interpessoais de qualquer tipo, é vociferada por Anonymes. Música crua para expurgar, ou ao menos tentar, a dor que assola o indivíduo saturado de sobreviver num mundo onde a solidão é inevitável.

https://winterkind.bandcamp.com/album/das-leiden-eines-verstorbenen-leibs

30. Inner Suffering - Nameless Nobody: Esta banda ucraniana, que vem fazendo música desde 2014, soma mais três EPs neste ano, até aqui. Com uma atmosfera entre o Depressive/Post Black Metal, SadVoice traz cinco faixas instrumentais neste lançamento do mês de janeiro que percorrem, também, pelos dois EPs lançados em abril.

https://innersuffering.bandcamp.com/album/nameless-nobody

31. Suicidal Solitude - Misery Life: Direto da Eslováquia, esta banda surge em 2020 e já segue lançando vários materiais, sendo 1 DEMO, 3 EPs, 3 singles, 2 SPLITs e 1 álbum inteiro. Misery Life é o EP de estréia e expressa a crueza que a banda, de um homem só, traz à tona. Com o autodesprezo, misantropia e repúdio pela vida, as faixas são um misto do Raw com a melancolia do Depressive. 

https://suicidalsolitude.bandcamp.com/album/misery-life-ep

32. Act Happy - Fallen: EP que contém duas faixas desta banda australiana que trafega por atmosferas cruas densamente enevoadas na desolação da existência. As faixas foram gravadas entre 2015 e 2018, no entanto, lançadas somente neste ano.

https://acthappy.bandcamp.com/album/fallen-ep

33. Asbel - Hate Is Free: Single lançado em março, e que teve a soma de outro no mês seguinte, e que estará inclusa no álbum que virá a ser lançado ainda este ano. Black Metal em sua forma crua aliado ao desespero e insatisfação pela vida inerentes do DSBM.

https://asbel.bandcamp.com/track/hate-is-free

34. No Point in Living - Last Choice Is Ours: Mais um grande lançamento desta banda japonesa que desde 2017 vem trazendo ótimos álbuns repletos de músicas que expressam desde a dor até o pavor diante da vida. Começou o ano com quatro SPLITs e, em abril, somou mais este álbum aos seus lançamentos, até agora, para este ano. Seguindo com uma sonoridade que dosa o Depressive Rock com Post Black Metal e pitadas do peso do Raw, as músicas são marcadas por nítidos riffs e solos melancólicos que dão suporte aos vocais carregados de Yu. Ainda, no mês de maio, a banda lançou uma compilação reunindo músicas, riffs e ideias nunca mostradas, até então.

https://npiljp.bandcamp.com/album/last-choice-is-ours

35. Vargahl - Winter: Parafraseando o próprio fundador e único membro da banda, ela procura revelar a natureza humana, em sua forma mais pura, a falta de vontade para a socialização, os comportamentos anti-sociais e misantropos e a aversão e nojo pelo ser humano. Música crua, bruta e nada polida é o que este lançamento resulta.

https://vargahl.bandcamp.com/album/winter

36. Anti - 5:03: Depois de 7 anos sem lançar nenhum material, esta banda, uma das clássicas do DSBM e que surgiu em 2003, presenteia os fãs com este single. Embora instrumental, demonstra que a banda, formada por Anti (guitarra), A. Krieg (vocais) e Zahgurim (bateria) continua mantendo a qualidade e as características de seus lançamentos anteriores. É de se esperar que venham mais novidades em breve e, talvez, até um novo álbum.

https://officialanti.bandcamp.com/track/5-03

37. Cholia - Winds of Nothingness: Este single é uma amostra de que - ainda que esta seja uma banda priorizando os ruídos (noise) em seus lançamentos - a banda que se intitula como ‘Industrial Depressive Noise Black Metal’, tem versatilidade para fazer músicas profundamente melancólicas e com toques de uma bela tristeza. Caminhar pelo Noise é o objetivo primário, no entanto, para os menos familiarizados com os ruídos há, também, músicas menos "barulhentas" e que não deixam de evocar o desespero da existência humana.

https://cholia.bandcamp.com/track/winds-of-nothingness

38. Dystert Natt - Mòrkëëladt: Quinto EP desta banda russa que evoca o ódio inseparável do Raw Black Metal. Todo o peso vindo das profundezas do abismo mais obscuro existente é exaltado nas duas faixas que compõe este material.

https://dystertnatt.bandcamp.com/album/m-rk-ladt-ep

39. Neblinum - El llamado del Silencio: Single lançado em janeiro e que estará entre as cinco faixas do álbum que virá a ser lançado ainda neste ano. Ainda seguindo as ásperas trilhas do Depressive Raw, Lord Grismord Aragpsth traz nesta faixa menos crueza e mais melancolia. Embora seja instrumental, há uma introdução com um discurso de desabafo, que expressa o peso de viver, dia após dia.

https://neblinum.bandcamp.com/track/demo-el-llamado-del-silencio

40. Uten Håp - LYS: Mais uma banda desta lista que procurou transformar o pesar e a dor da perda de um ente querido em música. Este EP foi dedicado ao avô de W., e a emoção que ele tentou manifestar em cada faixa, é sentida pelo ouvinte. Ele chegou a cogitar abandonar tudo, após tal perda, mas, com o apoio de alguns poucos amigos, decidiu persistir na música que além de dar vazão às suas angústias, também o mantém firme em meios aos íngremes caminhos da vida.

https://utenhap.bandcamp.com/album/lys-ep

41. Sadness - Atna: Banda que manifesta lindamente o seu nome. Em todos os lançamentos é palpável a mais densa melancolia que Elisa, esplendidamente, expressa. As três faixas que compõe este EP, lançado em fevereiro, falam por si só, uma explosão de melancolia, dor, sensação de vazio, de distanciamento, e da solidão tão espessa, densa e feroz que acomete os seres perdidos nos confins da existência. Em março foi lançado mais um álbum, Alluring the Distant Eye, somando mais uma obra-prima desta banda norte-americana.

https://sadnessmusic.bandcamp.com/album/atna

42. Streeglah - Plegma: Banda grega que estréia com esta DEMO contendo quatro faixas carregadas de insatisfação pela vida e tudo que a cerca em uma existência fadada à dor e ao sofrimento. Vocais potentes, instrumental pesado e letras expressando que a vida é uma maldição imposta aos seres vivos, ou apenas aos seres humanos que tem conhecimento da sua própria condição imutável.

https://streeglah.bandcamp.com/track/prosmohnee-waiting

43. Afraid of Destiny - Reflecting Under an Ascending Moon: Banda italiana que lançou este single como resultado de uma colaboração, depois de anos, entre os membros atuais e N. (o primeiro vocalista oficial), em memória de um amigo em comum e que, infelizmente, se suicidou no ano passado. Este amigo é Angel Cobos Martinez (também conhecido como Silence), e que também já vinha em um caminho solidificado dentro do DSBM com seus vários projetos, entre eles Rotten Light e Suicide Psychosis. A banda também menciona nos créditos que todo o dinheiro das compras digitais deste single será entregue à Soproxi, uma linha direta italiana de prevenção ao suicídio. Há três versões para a mesma música neste lançamento, uma consistindo de Adimere (o fundador da banda) nos vocais, outra com N. nos vocais e um cover da faixa feita pelo próprio Silence com a Rotten Light, em 2014. Tanto o contexto deste material quanto a música em si, que se inicia com uma gravação real de uma chamada telefônica ao serviço de emergência devido a um suicídio, fazem dele uma homenagem belíssima. 

https://afraidofdestiny.bandcamp.com/album/reflecting-under-an-ascending-moon

44. Suðri - Gris: Com uma sonoridade mais atmosférica esta banda retorna, após quatro anos sem novos lançamentos, com este EP carregado de emoções sufocantes. Com belos riffs de guitarra e marcantes levadas de bateria, os vocais de Astarth dão vazão às insatisfações presas dentro de si. Ainda, uma faixa semi-acústica onde seus vocais limpos se unem para refletir a melancolia e expressar o peso de sobreviver em meios aos dias sem sentidos se somam e, tornam este um ótimo lançamento.

https://sudri.bandcamp.com/album/gris

45. Kalmankantaja - Nostalgia I: Bones And Dust & Nostalgia II: My Kingdom: Esta banda já é bastante consolidada dentro do Depressive e Atmospheric Black Metal. Com uma sonoridade singular, com densidade e lentidão, aspereza e rapidez e vocais que percorrem do Doom ao Black Metal, a banda vem lançando excelentes materiais desde seu surgimento. Estes dois álbuns, nas palavras de Grim666, são uma homenagem às bandas que influenciaram Kalmankantaja e, embora não sejam similares ao som em que a banda se assentou, foram de bastante importância a ela. No mês de maio outro álbum foi lançado, Talventuoja, que traz a carga característica desta banda finlandesa.

https://kalmankantaja.bandcamp.com/album/nostalgia-i-bones-and-dust
https://kalmankantaja.bandcamp.com/album/nostalgia-ii-my-kingdom

46. Cenestenia - Die... Just Die: Banda russa formada no ano passado tendo lançado uma DEMO e um SPLIT, lançou neste ano dois álbuns. Die... Just Die traz sete faixas que dão vazão a mais profunda angústia que se acorrenta ao indivíduo, fazendo-o desejar mais e mais o fim de sua própria vida. Sonoridade carregada de fúria e, ao mesmo tempo, de uma espessa tristeza. Em março foi lançado outro álbum, este sendo auto-intitulado e trazendo 14 faixas apenas instrumentais.

https://cenestenia.bandcamp.com/album/die-just-die

47. Algeia - Patient 34: Sob o nome My Dying World Mako, tendo lançado 2 álbuns, a banda, originária da Ucrânia, mudou seu nome para Algeia em 2015 e, em 2017, lançou seu primeiro álbum. Patient 34, lançado neste ano, evidencia uma grande mudança sonora, se comparado ao anterior. Enquanto o primeiro mostrava-se mais mergulhado na crueza do Raw, neste há uma polidez sobre o instrumental. Algumas partes chegam a parecer sintéticas. No entanto, a melancolia e dor são expressadas em todas as faixas que relatam o fardo de sobreviver em meio a uma vida soterrada na desesperança.

https://algeia.bandcamp.com/album/patient-34

48. Begotten - If All You Have Known Is Winter: Segundo álbum dessa banda canadense que em sua estréia já aliava o peso do Black Metal com o desespero do Depressive. A estrutura sonora é muito bem composta, riffs de guitarras bem inseridos, alguns solos que dão mais ar de melancolia e vocais que refletem uma aversão à vida.

https://begottendsbm.bandcamp.com/album/if-all-you-have-known-is-winter

49. Just Darkness - Just Darkness: Banda russa que estréia com este EP contendo cinco faixas intensamente envolventes. Vocais agressivos, sonoridade hipnótica e letras dando vazão às angústias congeladas nas estradas do tempo.

https://justdarkness.bandcamp.com/album/just-darkness

50. Be Still - The Cold Breath From Death's Lips: Segunda DEMO desta banda norte americana que traz uma única faixa, mas, que percorre quase dezessete minutos de duração. Inicia-se com uma guitarra bastante melódica que, aos poucos, abre espaço aos demais instrumentos.  Os vocais parecem sussurros, mas se somam para complementar uma música bem expressiva em riffs de guitarra.

https://bestill2.bandcamp.com/album/the-cold-breath-from-deaths-lips

51. Hovert - Towards Non-Being: Esta banda já encontrou seu lugar em meio ao DSBM, com uma sonoridade bastante consistente, com suas próprias características e singularidades. Os vocais agudos e carregados de desespero de Aleverm, seus riffs de guitarra entrelaçados às linhas de baixo de Jeanaharte e as levadas de bateria de Michael são uma peça crucial e que resulta em excelentes músicas. As faixas deste EP foram compostas entre 2018 e 2019, mas, gravadas e lançadas apenas neste ano.

https://hovert.bandcamp.com/album/towards-non-being

52. No Rest For Us... Just Pain - No More: Banda argentina de DSBM instrumental. Lançado no início de fevereiro, este EP traz duas faixas autorais e um cover da banda Happy Days e um da banda Lifelover. Ainda, no final do mesmo mês, fevereiro, foi lançado um segundo EP sob o nome Not My Place e neste as cinco faixas são todas autorais. A sonoridade é envolvente, os instrumentos ecoam uma suave e, ao mesmo tempo, dolorosa melodia.

https://norestforusjustpain.bandcamp.com/album/no-more

53. Sunshine Ink - faen eg e lei meg: Banda norueguesa, formada por Nitrist e Sersjant Sutretryne, que estréia com este álbum bastante melancólico. O diferencial deste duo é que as músicas são profundamente carregadas de melancolia pelo uso massivo de teclados, pianos, sintetizadores e dedilhados e riffs de guitarra muito bem encaixados nas músicas. Ambos os membros dividem os vocais que se alternam em limpos e guturais.

https://badnoiserecords.bandcamp.com/album/faen-eg-e-lei-meg

54.  Esipram - On Intoxicated Escapism: Embora seja um projeto solo de Follin, ele vem somando participações de amigos ao longo de seus lançamentos. Neste teve Weha fazendo os discursos adicionais. Originário da Rússia, esta banda une a melancolia urbana e o cinza da vida em meio ao concreto com uma sonoridade que se mescla ao Black Metal, Post punk e música ambiente. Este single é uma promoção antes do lançamento do álbum que virá, ainda, neste ano.

https://follinbeich.bandcamp.com/album/on-intoxicated-escapism

55. Eternal Silencer - Poemas de Uma Triste Vida: Cru, simples e direto são adjetivos que definem a sonoridade desta banda brasileira. Unindo letras que regurgitam uma intensa carga de auto-aversão à vida, a banda, formada por Melancholy nos vocais, Jeff Death Spreader nas guitarras, Funesto no baixo e Spectrum na bateria, traz em seu material de estréia músicas gravadas entre 2018 e 2019, mas, vindo a ser lançadas, apenas, neste ano.

https://youtu.be/nEwyBIzBFAU
https://www.facebook.com/455720704761040/videos/292358318395305/

56. Helenes - My Inferno: Formada por MoreDread, em 2019, lançando apenas um cover instrumental de Forgotten Tomb e uma faixa em um SPLIT com a banda Ramirik, o lançamento deste ano marca, definitivamente, o início da banda com músicas autorais. Com os vocais de Sulk, este lançamento é intenso e faz vir à tona uma gama de emoções. A profundidade que ele traz, da dor, da angústia, do cansaço em se manter sobrevivendo dia após dia é muito palpável. Os vocais entram numa sintonia perfeita com o instrumental e expressam tudo aquilo que está sendo lançado para fora da garganta. Sem forças para um novo amanhecer, sem ânsia para abrir os olhos após conseguir fechá-los para dormir, sem perspectivas para além do instante em que o presente tritura mente e corpo não há o porquê insistir numa existência que oferece nada mais que a crua dor e o mais lacerante sofrimento. Este EP, evidentemente, deixa um forte anseio por mais lançamentos dessa banda norte-americana.

https://helenes.bandcamp.com/album/my-inferno

57. Naamah - Death, My Saviour... – Banda, de um homem só, proveniente da Romênia. Vocais pesados, sonoridade densa com riffs que, em alguns momentos, remetem à Lifelover, mas, com uma crueza singular. Este marca o último álbum da banda que, em fevereiro, lançou um single e entrou em hiato.

https://naamah200276.bandcamp.com/album/death-my-saviour

58. Cut... - Songs for the Weak: Duo norte-americano que emerge através de suas músicas o intenso desgosto pela existência fadada ao vazio e a uma busca, ilusória, por meios de preencher, de alguma forma, o que jamais será de fato preenchido. Dosando a ríspida sonoridade de Weakness aos vocais cansados e munidos de aversão à vida de Pain, este lançamento resulta no cru e genuíno asco sentido por todos aqueles que chegaram ao limite, fisica e mentalmente, de suas vidas.

https://cut6.bandcamp.com/album/songs-for-the-weak

quinta-feira, 14 de maio de 2020

DSBM Brazil - Compilações


Em 2019, com intuito de dar suporte às bandas brasileiras de DSBM, as páginas DSBM - Depressive Suicidal Black Metal Brazil, DSBM Images e DSBMemes, com os blogs Discofrafia do Metal Negro e Depressedy DSBM e com o canal DSBM Songs, iniciaram a elaboração de uma série de compilações. A 1ª lançada ao final de 2019 e a 2ª e 3ª neste ano de 2020. Essas 3 compilações se encontram, além do YouTube, também na plataforma bandcamp.
Todas disponíveis para serem baixadas gratuitamente.

DSBM Brazil - Vol. I

1. Frio Insólito - Dor e Angústia
2. Depressiona - As Esperanças Se Foram Com Você
3. Lado Esquerdo Vazio - Quando a Vontade é Apenas Partir
4. Morte Rubra - Lúcido Para Morrer
5. Ensimesmamento - Serei Amado Quando Morrer
6. Montosse - Pois os Mortos Viajam Depressa...
7. Nattag - Efêmero
8. Pessimista - Malditas Expectativas
9. Entardecer - Omitted by Light
10. Whore Illusion - H(r)ope
11. Angustifolia - Dwelling In Emptiness
12. Deadleaf - Human Heat

Youtube
Bandcamp
Download (compactado)


DSBM Brazil - Vol. II

1. Midnight Loss - Desbotado e Distante
2. Noirgale - Fim
3. Solidão - Último Ato
4. Abisma - O Silêncio
5. Antissocial - E Entre Passos, Ruínas 
6. Sweet Torment - Sick Heart 
7. Abyssal Pain - The Cold Winter Involve My Sorrow
8. Le Délire des Négations - A Deep Melancholy... (expendable morning)
9. Allonair - Life Was Meant to Die Twice
10. A.S.A.H - Plaisir Interdit
11. Solstitium - Forests, Dark Whispers

YouTube
Bandcamp
Download (compactado)


DSBM Brazil - Vol. III

1. Langour - ...And for Eternity Suffer
2. Absent Heat - Memórias Enterradas
3. Vazio Eterno - Dor
4. Sadroom - Frasco de Veneno
5. Distiphyxia - Torpor Overdose pt.I 
6. Unguilty - Derisive Existence
7. Necro Sorcery - Lost Soul
8. Vida Devastada - Dead Weight
9. Ingenting til Livet - Psychonaut
10. Vumini - Cyclothymia
11. Freak Out - Abusos (Marcas Eternas)

YouTube
Bandcamp
Download (compactado)

Agradecimento especial a todas as bandas que participaram.

quinta-feira, 19 de março de 2020

Entrevista com a banda Coronavirus



Com um nome que pode ser chocante para alguns, por outro lado, natural para apreciadores do metal extremo, a banda Coronavirus surge no ano de 2020 para propagar a música carregada de letalidade e infectar os humanos, ironicamente, já saturados da vida. Deixando de lado a pandemia (ou não), conversamos com a vocalista e fundadora da banda Ash Montag que foi bastante simpática e manteve-se numa distância razoável para evitar a transmissão do vírus.

Como surgiu o projeto? Vocês dois tinham um relacionamento musical anterior ou, vocês começaram neste atual?
Ash Montag: Ele me enviou seu material para subi-lo no canal do Youtube (Mitosis TV) e eu realmente gostei, então eu pedi para ele fazer uma colaboração comigo. Ele tem seu próprio projeto (LSCOD). E eu tenho o meu (Draconians).

A banda chegou em um momento em que a epidemia já estava alcançando o mundo. O nome surgiu nesse momento ou você escolheu um pouco antes?
Ash Montag: Não, nós fizemos a música e eu estava pensando no nome e achei que era uma idéia engraçada chamá-lo de "Coronavirus".

Qual é a ideia por detrás da música The End Is Near? É um relato pessoal?
Ash Montag: Sim, eu estava lutando com muitos problemas na época, e eu escrevi como me senti como um pesadelo vivo.

Atualmente, a música The End Is Near tem mais de 120.000 visualizações no Youtube. No meio dessa popularidade, é natural que surjam críticas, afinal, não é comum o Black Metal ter um alcance tão amplo, ainda mais em relação a uma banda recém-lançada. Como você está lidando com críticas negativas?
Ash Montag: Primeiro, fiquei empolgada ao ver todas as pessoas ouvindo minha música, depois vi os comentários bons e ruins, me importei um pouco no começo, mas depois comecei a ignorá-los porque as pessoas sempre vão te criticar, não importa o que você faça. Eu gosto da minha música e essa é a única coisa que me interessa.

Poucas pessoas devem saber que, por trás dos vocais vigorosos, os vocais vêm de uma mulher. Como você vê essa questão das mulheres no metal extremo? E como tem sido a recepção com o Coronavirus, a esse respeito?
Ash Montag: Há pessoas que não gostam de vocais femininos no metal, elas acham que não somos suficientemente cruas, mas eu tenho uma mensagem para elas: “fazemos o que fazemos porque fazemos isso por nós mesmas e por pessoas que gostam de nossa música e, se você não gosta disso, então engula essa!” Mas também existem pessoas que amam vocais femininos de metal. Isso é engraçado, porque algumas pessoas pensam que eu sou um garoto adolescente devido aos gritos (hahaha).

A banda recebeu um ótimo e engraçado "Drum Cover", o que você acha disso?
Ash Montag: Eu acho isso impressionante! É a primeira vez que alguém faz um cover da minha música. Eu me senti orgulhosa. E ele arrasou!

Quais as principais bandas que influenciaram o som da Coronavirus?
Ash Montag: Para os vocais são Thorrs Hammer, Gallhammer, Silencer e Burzum.
Instrumentalmente são Burzum e Darkthrone.

E o que aconteceu com o outro membro, ele foi infectado?
Ash Montag: Ele desapareceu há algumas semanas atrás. Sumiu do mapa!

Esperamos que ele esteja a salvo.
Você conseguiu alcançar todos os seus objetivos com a Coronavirus?
Ash Montag: Sim.

Você mencionou seu projeto Draconians, além deste, você participa de outras bandas/projetos musicais? E o que podemos esperar em relação a lançamentos futuros?
Ash Montag: Estou fazendo vocais em uma banda de Atmospheric Black Metal/Dark Ambient da Indonésia. Também estou trabalhando em um EP, mas não relacionado ao metal.

Você pode nos contar um pouco sobre si mesma?
Ash Montag: Ash Montag é o meu nome artístico. Ash é de "Asherah" e Montag é do "The Wizard Of Gore". Sou baixista e cantora de black metal, punk, rock, pop, indie, ópera, folk, grind, etc.

*Asherah, de acordo com a mitologia das antigas religiões semitas, é uma deusa-mãe.
*Montag é o personagem principal do filme The Wizard of Gore, um filme do gênero splatter lançado em 1970.




Como foi o seu primeiro contato com DSBM?
Ash Montag: Recordo-me que minha vida estava uma bagunça. Meu ex me traiu, problemas familiares, notas baixas na escola, basicamente tudo uma merda, e lembrei que alguém havia me falado sobre DSBM e eu procurei por ele. A primeira banda que ouvi foi Austere e nunca esquecerei isso.

Você conhece alguma banda brasileira? E o que você acha dessa cena por aqui e, nas Américas, de modo geral?
Ash Montag: Sim, Midnight Loss. Eu acredito que está ficando maior a cada dia, mas ainda Underground.

Quais as considerações finais e mensagem para todos aqueles que foram infectados com a sua banda (vulgo fãs)?
Ash Montag: Mantenha doente, mantenha viral!

Você pode encontrar mais informações na página oficial da banda e pode se infectar nas plataformas digitais Youtube, Bandcamp e Spotify com a música The End Is Near.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2020

Lamúria Abissal


Lamúria Abissal é uma banda formada por Iuri Calado 'Thy Despair', também conhecido como 'Reverand Despair', nos vocais/letras e Caio Ramon 'Pale' em todos os instrumentos, no Rio de Janeiro, Brasil, no ano de 2011. Ambos já amigos desde a infância. Nas palavras de Thy Despair, o nome da banda expressa "o lamento daqueles que nunca viram a luz da vida, ou qualquer que seja". Logo na primeira demo é captado isso, lamúrias vindo do mais obscuro abismo interior. As letras remetem toda a fadiga e exaustão de sobreviver diante de uma miserável existência. As decepções diante de qualquer relacionamento com os seres humanos, os rompimentos de laços alicerçados em confianças - facilmente quebradas por uma das partes - o peso de sobreviver em meio à rejeição e negação da vida e, como tudo isso cansa fisica e mentalmente o indivíduo. As buscas de aliviar a dor são sempre momentâneas e, por fim, só geram mais frustrações.
Com a sonoridade bruta, pouco lapidada porém com riffs marcantes, vocais intensos com muito sofrimento, letras que remetem sair do fundo de um peito dilacerado pela vida, seguindo com uma coesão ímpar que se arrastou por todos os trabalhos posteriores, marcou a demo Cânticos de Um Além Abismo que foi lançada, em fevereiro de 2012, pelo selo Depressive Illusion Records, em 100 cópias no formato K-7. Neste mesmo ano, esta demo veio a ser relançada pelo selo Rigorism Production com edição limitada de 50 cópias em CD. A arte da capa foi feita por Fernando Count Old (que lidera projetos como Old Throne, Anti-Life, Count Old e Neblina Suicida). Apesar de ser chamada de demo, soa muito mais do que uma mera demonstração. A qualidade é impressionante.
Em outubro de 2012 o primeiro álbum é lançado pela Rigorism Production. O Último Descanso Finalmente lhe é Concedido traz uma intensidade similar à demo, acrescido de um caos dos mais profundos e destrutivos sentimentos humanos. O instrumental soa ríspido mas bastante impactante, com guitarras corrosivas que criam uma atmosfera perfeita para as letras com emoções autênticas e que são verdadeiros poemas. Letras que se mantém com influências do ultra-romantismo, um movimento do século XIX de língua portuguesa conhecido por ser obscuro e autodestrutivo. As temáticas envolvem decepções, rejeições, vazio existencial, ódio, dor, sofrimento, isolamento, fadiga mental, depressão, suicídio e morte. A capa do álbum é a fotografia do suposto fantasma do Sanatório de Waverly Hills, em Louisville, Estados Unidos. Segundo as lendas, a imagem é do espectro da enfermeira que teria cometido suicídio e que pode ser visto vagando pelos corredores do hospital. Deixando de lado as histórias paranormais, o fato é que capa remete muito bem o obscuro, o desconhecido, a insanidade, o pavor de viver, sobreviver ou meramente existir. A faixa de abertura, Amado Ódio Retroativo, se inicia apenas com uma guitarra pouco distorcida soando um riff que, logo, dá vazão para todos os outros instrumentos se juntarem. Os vocais de Thy Despair são profundamente desoladores e transmitem sentimentos de fúria com uma dor que não se pode sanar de jeito algum. Os riffs de guitarra são hipnóticos e se fixam facilmente na mente do ouvinte. A bateria segue em ritmo direto mas se mescla perfeitamente aos demais instrumentos. Faltando cerca de dois minutos antes da canção encerrar, ela reduz o peso e uma guitarra entra solando de forma muito melancólica e, novamente, é preenchida pelos vocais e lamúrias de Thy Despair. Me Afogando em Lâminas e Comprimidos se incia com alguns acordes limpos de guitarra que são sobrepostos, logo em seguida, pelos outros instrumentos. Segue a mesma linha de peso e desolação da faixa anterior. A letra fala do ódio que envolve o eu lírico, que se cansou de tudo ao seu redor, das noites e dos dias, das pessoas e seus abandonos. Há pequenas partes de vocais limpos e chorosos se alternando com os guturais rasgantes. O Fantasma de um Rancoroso Passado se inicia com um denso teclado já transmitindo o que vem pela frente, o instrumental mais rápido entra mas o teclado se mantém mais lento e penetrante como se cortasse lentamente e profundamente a carne. Os vocais atormentados se alternam com cantos limpos. A letra, embora triste, transmite certa resignação que o eu lírico está buscando para aceitar o inevitável fim das relações pessoais bem como o fim de tudo na vida. A música que leva o nome da banda, Lamúria Abissal, se inicia com o trecho do filme brasileiro Morte e Vida Severina. A sonoridade é arrastada e bastante melancólica. É a música mais longa do álbum, com pouco mais de 14 minutos. E, embora seja longa, no meio dela há uma redução do tempo sonoro e um riff limpo de guitarra ecoa juntamente com os berros e urros de dor por parte de Thy Despair que, logo em seguida, começa a recitar com vocais limpos. Essa quebra sonora se encaixou perfeitamente pois não deixa a canção tediosa ao ouvinte. O trecho "Não existe, quem me odeie mais, do que o nojo, que sinto de mim mesmo" expressa a mensagem de auto-ódio que a banda procura gerar neste álbum. ...de uma Profunda e Cancerígena Melancolia encerra o álbum com o mesmo peso inicial. Riffs de guitarras se repetem e criam uma densa e triste atmosfera que impregna na mente do ouvinte e não sai mais. A letra é um expurgo da mais profunda dor enraizada nos confins da mente do indivíduo. A escuridão soterrou toda luz que poderia o levar a um caminho menos doloroso. As decepções com as pessoas e consigo mesmo vem à tona de forma crua. Não há mais vontades, não há mais anseios, não há coisa alguma a não ser a melancolia que, assim como um câncer, devora toda carne ao redor, devora todos seus dias. O seu amanhã já foi entregue ao vazio mais aterrorizante que possa existir. A desolação o consome internamente enfraquecendo cada célula de seu fatigado corpo. Os questionamentos existenciais são vomitados aos ventos frios que jamais trarão qualquer resposta. A dor, apenas a mais profunda e pungente dor, é a resposta inerente à existência. Ao ser lançado no abismo as chances de retornar à superfície são, severamente, aniquiladas. Solidão, trevas e dor, isso é tudo que há para sentir e enxergar, isso é tudo que se pode contemplar quando se está para além do abismo, para além das lamúrias abissais. Faltando cerca de 3 minutos antes de encerrar a canção, Thy Despair faz um breve discurso, um desabafo, que é acompanhado por sons de chuva e, em seguida, um riff limpo de guitarra é executado, majestosamente, por Pale até que a canção completamente se desvaneça
Em março de 2014 é lançado, pela No Remorse Records, o split Spilled into This Disgrace of World, na plataforma de música digital bandcamp, junto com a banda Born an Abomination. A música Esmorecido Solstício da Morte se inicia com uma suave melodia que segue com guitarras rasgantes e vocais já marcantes de Thy Despair. Ela se alterna com riffs de piano mas sem alterar a estrutura densa e depressiva construída. Ex Nihilo Nihil Fit é um ode ao niilismo, com uma sonoridade fúnebre composta por um piano e por uma guitarra sem distorção, a letra é recitada e fala sobre o Nada e a aceitação da morte, a única experiência real da vida.
Em abril de 2016 é lançado o EP Passagem para o Além Abismo, na plataforma digital bandcamp. E, no mês de julho, é lançado em CD limitado a 50 cópias, pelo selo Cvlminis. As músicas mantém o pêndulo entre uma sonoridade parte calma com uso de teclados, alternando com um peso brutal de guitarras agonizantes e vocais de puro ódio e sofrimento. Estupor de Viver mantém mais vocais limpos mas sem perder o sentimento de desolação característico de Thy Despair. Um som simbila pela música como se fosse um pendulo e reflete bem a mensagem da letra e do próprio título, o tempo paralisa, anos e mais anos nas mesmas lamúrias, nas mesmas dores e angústias que nunca cessam. Orquídea Sangrenta segue uma linha similar a anterior, com um piano minimalista e hipnotizante. Lavrando Defuntos se inicia com o trecho do filme Morte e Vida Severina e, em seguida, uma bateria começa marchar, tendo um teclado como pano de fundo, apenas para abrir lugar ao peso que vem em seguida. Em Solidão, a introdução usada é de um trecho do filme Donnie Darko que fala sobre a solidão que nos amedronta, quer queiramos ou não. Um riff limpo de guitarra entra e a bateria cadenciada mantém a estrutura para os vocais agonizantes. A música avança com o peso característico da banda. O trecho "Esse mundo é lugar para outros, não pertenço aqui, tão pouco aos que aqui habitam , não posso contar com os outros", expressa muito bem o sentimento de vazio e solidão que envolve o eu lírico e que, por fim, recai sobre cada ser humano que segue em seu próprio mundo de devastador silêncio. O álbum fecha com um cover, muito bem interpretado, de Eternal Beauty of Trees da banda chilena de folk doom Uaral.
Em julho de 2017 é lançado, digitalmente, pelo selo Order Noktondurner o split A Rainha é Sempre Impecável, com as bandas NuktruktРаскаянье. As faixas Anestesia e Excelsiori trazem uma sonoridade um pouco diferente dos trabalhos anteriores, mas sem perder a essência e as características que fazem a banda ser tão singular.
Em outubro de 2017 é lançado o álbum Eterno Outono da Alma, pela Sinistrion Distro. A evolução sonora aqui é bastante perceptiva, as guitarras soam mais claras, mesmo distorcidas, a bateria mantém maior velocidade mas sem deixar de ser cadenciada, uma linha melódica pela guitarra se estende por algumas músicas, resultando em um instrumental tão expressivo quanto a parte lírica. Os vocais desoladores continuam como antes, precisos e gerando a atmosfera perfeita para uma viagem dentro do abismo que assola o ouvinte. O uso de teclados é maior neste álbum, seja nas introduções ou em interlúdio das músicas. As letras abordam a decadência humana, a dor e sofrimento que, como uma árvore, possui suas raízes profundas. Comparado ao álbum anterior, há bastante mudanças mas, entre esses dois álbuns, existem lançamentos que interligam essa evolução e só mostram como a banda segue fazendo um ótimo trabalho através dos anos.
A banda é uma forte representante do Depressive Black Metal no país, com a característica de cantar músicas no próprio idioma. Possuem uma significativa quantidade de fãs no meio underground do metal negro brasileiro. Também foi, e ainda é, grande influencia para outros projetos e bandas de DSBM no país.
Pale tem o projeto neoclassical Pale's Winter, o de brutal death metal Leviathan Necrosis e o de dark experimental/ambient .rar. Também faz parte das bandas Candeliere e Hatend.
Thy Despair faz parte das bandas Cursedflesh e Ensimesmamento. Também, fez os vocais da canção Wind da banda brasileira Help.
Já foi cogitada apresentações ao vivo da Lamúria Abissal por todo o país mas, por enquanto, nada foi confirmado.
No dia 16 de abril de 2019 foi postado uma nota, na página oficial da banda no facebook, expressando agradecimento aos fãs e relatando o hiato em que a banda entraria dali em diante, sem data prevista para um retorno ou lançamento de novas músicas.

Discografia:
Cânticos de Um Além Abismo "Demo" (2012)
O Último Descanso Finalmente lhe é Concedido (2012)
Spilled into This Disgrace of World "Split" (2014)
Passagem para o Além Abismo "EP" (2016)
A Rainha É Sempre Impecável "Split" (2017)
Eterno Outono da Alma (2017)

Membros:
Thy Despair - Vocais (2011 - 2019)
Pale - Todos os instrumentos (2011 - 2019)

sábado, 22 de fevereiro de 2020

Ofdrykkja - I Skuggan av Mig Själv [vídeo-legenda PT-BR]



Esta música havia sido legendada há alguns anos e o vídeo estava hospedado no canal Depressedy. Infelizmente, devido às novas regras e diretrizes do youtube, o vídeo foi removido por, segundo o site, possuir conteúdo nocivo e perigoso. Não haviam cenas no vídeo, apenas imagens para criar uma certa dinâmica conforme a letra da música fosse aparecendo. De todo modo, ele foi excluído. E, infelizmente, alguns dias depois mais vídeos foram removidos e culminou com a remoção permanente do próprio canal. Então, disponho aqui, novamente, esta música legendada em um novo vídeo, neste há cenas dos membros da banda, antes do lançamento do primeiro álbum. São cenas de gravações caseiras e pessoais onde os membros estão consumindo álcool, fazendo uso de vários narcóticos e se automutilando. Os cortes são severos, fazendo fluir uma grande quantidade de sangue. 
A banda Ofdrykkja foi formada em Västerås, Suécia, no ano de 2012. Com Drabbad na guitarra e vocais de apoio e Pessimisten nos vocais principais. Algum tempo depois, The Associate e Bödeln se juntaram a ela, o primeiro na posição de pianista e o segundo como baterista. Ofdrykkja significa "beber em excesso", em islandês, e explica muito bem o tema das letras e o quanto, as experiências pessoais dos membros, influem na banda. A temática envolve, principalmente, drogas lícitas e ilícitas - como válvulas de escape da dura realidade -, bem como overdose por medicamentos psiquiátricos, bebida alcoólica, desolação, misantropia e solidão em meio à vida urbana. As letras demonstram quanto o indivíduo busca por algo que amenize suas dores mentais e físicas, o seu vazio existencial ou, mesmo, uma maneira fugaz de sair da realidade, ainda que, seja uma opção momentânea.
Drabbad iniciou contato com Pessimisten e logo começaram a trocar conversas. Drabbad havia saído da banda Lepra, há pouco tempo, e Pessimisten havia sido membro da banda Apati até seu encerramento. Nesta banda ele era conhecido como C9H13N. Após a morte de seu amigo e parceiro de banda Obehag, ele com os demais integrantes resolveram encerrar a Apati. Ofdrykkja, apesar das fortes influências do Black Metal sempre citadas pelos membros, tem uma sonoridade que se enquadra ao Depressive Rock/Narcotic Metal, com melodias melancólicas, depressivas, tristes e que falam da dor de viver e quão necessário é, às vezes, optar por meios de se desligar, momentaneamente, da realidade. A fala é usada em algumas músicas, bem como os vocais limpos, mas são os vocais chorosos que trazem uma tristeza ímpar às canções da banda. Canções essas que são compostas com os sentimentos mais sinceros possíveis.
A Life Worth Losing foi lançado em abril de 2014, pelo selo musical Temple of Death Productions, e limitado a 50 cópias em K-7. I Skuggan av Mig Själv, que trago legendada neste vídeo, é a 3ª faixa do álbum. Ela traz uma profunda e triste melodia de guitarra que percorre a música toda. Esse efeito usado na guitarra solo marca a maioria das músicas deste álbum e gera algo bastante singular à banda, sendo uma marca da mesma. Os vocais, que combinam gritos ofegantes que beiram o choro com os de dor e desespero, são outra característica encontrada neste material. A letra é um desabafo de alguém que não se enxerga mais como ser humano. O cansaço, de seguir sobrevivendo com uma ansiedade massacrante, o consome sem pausa. Quanto mais se tenta sair desse abismo, mais energia é perdida nessas tentativas de lutar contra uma dor que ultrapassa a própria carne. Tudo passa a causar incomodo. Um misto de angústia com ódio se fundem. Ódio por acordar todos os dias, por estar paralisado na própria dor, por olhar a sua volta e não enxergar ninguém, nada em que possa se apoiar. E, esse ódio, como alimento denso, pesa mais e mais a cada dia. O indivíduo tenta sair, andar por aí, sem rumo, sem destino, mas, tudo acaba por piorar sua sanidade. Até mesmo as folhas, que são levantadas do chão pelo vento frio do outono, geram uma sensação terrível e alimentam suas já demasiadas paranoias. Mais temores se somam aos seus mais obscuros medos. Ao caminhar em meio à multidão, seu ódio se torna ainda mais corrosivo. O mundo é um tormento. As pessoas são uma escória nadando em seu próprio egoísmo. Ele olha para elas com uma face deformada em raiva, aversão e ódio desejando, profundamente, que alguma delas olhe para ele com desdém para que assim ele tenha um gatilho, um motivo, um estopim para explodir em fúria e atacar esta pessoa. Ele não mede as consequências, não pensa que alguma dessas pessoas poderia revidar e o machuca-lo, antes mesmo dele a machucar, porque, na verdade, nada mais importa. Sua integridade física não tem qualquer importância, ele já está destruído de dentro para fora. A exaustão física e mental chegam ao limite. Ao retornar para sua casa, o único lugar que ainda o priva do mundo, ele reflete quão sufocante seus dias se tornaram. Ele não se percebe como um humano, ao olhar para si só pode ver uma figura inumana, um monstro, um fantasma, uma aberração, deformada em angústias, temores e auto-ódio. Por dentro, o frio o petrifica, o imobiliza. Não há mais emoções que possam aquecer. Não há mais paixões. Ele não consegue gostar de coisa alguma, não consegue direcionar qualquer sentimento de afeto por alguém. A ansiedade desfigurou sua face, seus sentimentos, suas paixões. Isso tudo o maltrata, o faz se sentir como um zumbi, um morto-vivo. Imerso em pensamentos destrutivos, ele alcança sua mochila e encontra uma garrafa de vinho, e, numa última esperança de se aquecer perante o frio da solidão, toma alguns goles da bebida, sendo em seguida tomado pela mais cruel constatação. Conclui dizendo a si mesmo que aquilo será o mais próximo do amor que ele poderá sentir.

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

Análise de Música: Trist - Stíny



Stíny é 3ª faixa do primeiro álbum da banda tcheca Trist. Lançado pela Insikt e limitado a 300 cópias em formato K-7, no ano de 2006. Esta música compartilha o mesmo título do álbum. Ainda nesse mesmo ano foi lançado, como uma demo, Stíny, de forma independente. No entanto, essa demo traz as músicas do álbum no formato instrumental. A banda fundada por Jan Šincl, no ano de 2003, na cidade de Olomouc, Morávia, no leste da República Tcheca, iniciou-se como um projeto pessoal e, ao longo dos lançamentos, vários músicos foram convidados a participar tanto nas gravações em estúdio quanto para acompanhar a banda em apresentações ao vivo. Ele tinha apenas 14 anos quando fundou a banda. A palavra "trist" se traduz como "deprimente" em norueguês, catalão e alemão. A atmosfera das músicas é uma expressão de "desespero e anseio pela morte". As letras abordam a melancolia, a dor de existir, a solidão, negatividade, desespero, angústia e desejo pela morte. Stíny segue uma cadência bastante mórbida, com poucas variações no ritmo. As guitarras ecoam riffs minimalistas, os vocais são angustiados e encobertos pela instrumentação fria, as linhas de bateria se alternam vagamente, ainda assim, se mantém marcantes.

Zasnezhennyy put' k mertvoy teni kladbishcha,
put' k tumanu chernoy nochi.
(Uma trilha de neve até o cemitério de sombras mortas,
uma trilha na névoa de uma escura noite.)

A letra é narrada em 3ª pessoa. Fala sobre um local, um cemitério, onde seres ofuscados, sem qualquer chama de alegria, foram enterrados. O próprio local tem uma aparência sombria e está em meio a neve, gerando uma atmosfera mais gelada e lúgubre sentida por um possível visitante.

Zdes' vstrechayutsya tol'ko teni i vse grustnyye, padshiye.
Derev'ya plachut svoimi pokhoronnymi aromatami.
(Aqui se encontram apenas as sombras, os tristes e os arruinados.
As árvores lamentam com seu perfume de funeral.)

Neste local estão enterradas pessoas, que em vida, padeceram de grande sofrimento, foram rejeitadas, soterradas na solidão, afogadas em angústias e desesperanças. Seres desprovidos de alegria e qualquer boa sensação. Estas pessoas foram lançadas à morte física mas, enquanto vivas, já sentiam-se mortas. O local é cercado pelas sombras da noite, pela baixa luminosidade. Está entregue à mais densa escuridão, onde mesmo as árvores se rendem ao clima soturno que o abarca. Elas exalam seus fúnebres odores, completando o profundo pesar que assola o lugar.

Region bez ogney, beskonechnaya t'ma u zhalkikh pamyatnikov,
Boleznennyye rany yadovitykh shipov krasnykh oblakov.
(Uma região sem luz, a escuridão é infinita sob deploráveis lápides,
Feridas dolorosas por espinhos venenosos abaixo das nuvens de sangue.)

A escuridão toma todo o local que abriga aqueles que adormecem sob um sono eterno. No entanto, é notável a indiferença por parte de entes próximos daqueles que ali descansam. As lápides são tomadas pelo descaso, sendo engolidas pelas marcas do tempo. Essas visões expressam como aquelas pessoas, ali sepultadas, foram completamente esquecidas. Isso machuca como espinhos venenosos que rasgam a pele, intoxicam cada célula do corpo e banham a terra em sangue.

Nado mnoy kruzhit bol'naya ptitsa, poyushchaya mrachnuyu pesnyu o melankholii.
Kladbishche palomnikov, zabytyy mir nochnoy chernoty.
(Um pássaro deprimido circula sobre mim cantando uma sombria canção sobre a melancolia.
Cemitério dos vagantes deprimidos, os esquecidos na escuridão da noite.)

A atmosfera, fechada em luto e mágoas, se torna mais densa com os pássaros, ao redor, observando enquanto empoleirados em obscuras árvores. Alguns sobrevoam o cemitério, enquanto dão vazão aos seus cantos lamuriosos. O clima se torna ainda mais triste e sombrio. A solidão impera o local e evidencia que ali jazem os esquecidos, não apenas após a morte, mas os mesmo já ofuscados em vida, os invisíveis, aqueles negados enquanto ainda respiravam. 

Dorozhki bez yedinoy zazhzhennoy svechi,
Staryye nadgrobiya utonuli v snegu, nichego velichestva
Kladbishche mertvykh teney, kladbishche zhizni.
(Caminhos sem uma única chama de luz,
Antigas lápides soterradas na neve, nada grandiosas
Cemitério das sombras mortas, cemitério da vida.)

A escuridão do lugar se completa com a desolação daqueles que ali se encontram. Não há luz - literalmente falando - e nem qualquer luz que se eleve daqueles que ali foram esquecidos. Suas vidas foram encadeadas em plena escuridão e tristeza. Não há qualquer lembrança aquecedora, ou uma memorável chama de luz, que traga uma faísca de vida ao local. Os túmulos foram tomados pela neve, as lápides com nomes foram engolidas pelos flocos gélidos, e o esquecimento absorve tudo. É o local das sombras mortas, de seres esquecidos, de seres desprovidos da chama da vida mas, sobretudo, o local onde residem as mesmas mentes, que durante suas dolorosas existências, já eram assoladas pelo inverno chamado solidão. Não houveram mudanças de um estado para outro. Vivos ou mortos, o esquecimento, por parte das pessoas próximas, permaneceu, de qualquer modo.

Trist tem como característica marcante a combinação de uma atmosfera densa enevoada e angustiante. Os vocais ficam sufocados pela parede instrumental densa e melancólica que se forma. Isso traz mais expressividade sobre a dor sufocante que agride cada indivíduo acorrentado à dor de existir. Seus vocais imersos em desolação se ajustam perfeitamente ao clima gerado na música. A letra traz à tona as feridas de ser esquecido, de ser abandonado, de ser apagado com a borracha da indiferença. As pessoas, em suas bolhas egocêntricas, simplesmente, dispensam umas às outras como se fossem descartáveis. Lançam umas às outras em aterros do esquecimento e, trazem à luz da realidade, a máxima da existência: nascemos sozinhos, morremos sozinhos. Trist foi uma banda - ou projeto - que expressou, majestosamente, através de suas canções, toda essa solidão que abarca os seres humanos, quer queira vivos, quer queira mortos.