sexta-feira, 8 de março de 2024
Mulheres na cena
quinta-feira, 2 de novembro de 2023
Falecidos da cena DBSM
• Malvery foi uma banda canadense formada em 1993 por Infurya na bateria, Coroner na guitarra, Vorlord nos teclados e guitarra, J.F. Boyte no baixo e Mario Milette (Amer LeChâtier) nos vocais. A banda é tida como "Proto-DSBM" pois, ao lado de Silencer, formou as bases do que viria ser característico no subgênero anos mais tarde. Em 1998 foi lançada uma 'promo, e em 1999 começaram as gravações do álbum de estreia, Mortal Entrenchment In Requiem, que acabou se tornando o único da banda. LeChâtier faleceu alguns dias após finalizarem as gravações e, por consequência, nem chegou a ver o lançamento do mesmo.
quarta-feira, 25 de outubro de 2023
Entrevista com Unguilty & Nattag
Diferentemente das entrevistas que comumente são postadas aqui, com membro ou membros de uma só banda, a partir desta um novo
formato se soma: entrevistas em duplas. No entanto, com membros de bandas
distintas. As perguntas serão as mesmas aos dois músicos, ou duas musicistas,
cada qual respondendo-as ao seu modo, com sua pessoalidade, pontos de vistas,
etc. Nesta estreia, F. R. e Yakoushi - dois
músicos com projetos relativamente recentes, Unguilty e Nattag, respectivamente, mas, que já alicerçam lançamentos
muito bem produzidos e somam mais sonoridades dentro do DSBM - vêm apresentar suas ideias, opiniões e convicções.
É evidente que vocês têm influências de
outros artistas no cenário da música, e essas influências são canalizadas e
refletem nos seus respectivos trabalhos, juntamente com o peso expressivo da
originalidade de cada um. Vocês apreciam outras formas de arte como cinema e
literatura? Se sim, há também influências que vocês absorvem disto e, de algum
modo, leva para seus projetos musicais?
F.R.: Com certeza. A arte sempre foi uma constante na minha vida, de muitas formas. Além da música, também tenho muito contato com artes plásticas (como pinturas e esculturas) e com a literatura. Essas influências podem ser observadas em minhas músicas através do romance que paira sutil em minhas letras, das referências a outras obras, de minha tentativa em induzir o ouvinte a criar imagens não apenas sonoras, mas, também visuais e até mesmo narrativas, dentre outros aspectos. Há, inclusive, uma música em minha demo de estreia onde cito um trecho do romance alemão, "Os Sofrimentos Do Jovem Werther", de Johann Wolfgang von Goethe. A música se chama "A Dream That Fades Into Reality".
Yakoushi: Não sou muito adepto do cinema, mas gosto bastante de Control (2007) e de The Crow (1994), este último sendo meu favorito. Creio que a maior influência que eu absorvo de ambos seja a atmosfera melancólica e noturna, além de que The Crow é uma obra (tanto a HQ quanto o filme) bem poética ao meu ver. Desse tipo de mídia audiovisual, animes são de longe o tipo que mais consumo (há inclusive um sampler de um anime moe em uma faixa minha chamada "Proscrição", mas não lembro especificamente qual foi o anime usado). Gosto de literatura, sim, sobretudo contos e poesia. Atualmente não leio mais tanto quanto costumava fazer no passado, mas continuo apreciando bastante essa arte. É algo que está presente no Nattag fortemente, apesar de ser um pouco complicado explicar com precisão onde e como. Lia bastante poesia ultrarromantista, mas nos últimos tempos o simbolismo esteve chamando mais minha atenção. Creio que essas influências em específico sejam relativamente evidentes nas minhas letras; agora, no que tange à sonoridade e atmosfera, varia bastante de faixa para faixa; eu diria que o "Moções Incertas" por inteiro expressa (ou pelo menos tenta, hehehe) um tipo de decadência que pode ser encontrada em alguns contos do Poe, por exemplo. Pessoalmente, algo que me inspira bastante tanto na composição lírica quanto musical é a fotografia. Sempre tenho alguma paisagem ou imagem em mente quando envolvido no processo de produção de algo. As capas que acompanham faixas ou álbuns meus têm o propósito de adicionar significado à música, ao invés de só estarem lá porque o Bandcamp exige. Para mim, a fotografia consegue captar diversas atmosferas, momentos, sentimentos, etc., de um jeito diferente de uma arte como a poesia (não que um seja melhor que o outro, são apenas diferentes). É algo bem similar com a pintura nesse aspecto.
A música, sem dúvidas, é um dos melhores
modos de dar vazão às mais densas e sombrias emoções. No meio do Depressive
Black Metal isso se torna ainda mais característico. Além de tocar e cantar,
vocês costumam realizar outras atividades para amenizar o estresse do dia a
dia?
F.R.: Em meu pouco tempo livre, gosto de ler livros e histórias em quadrinhos, desenhar, jogar Magic: The Gathering, ou apenas tomar um café observando os pássaros na grama. Mas são raros esses momentos em que eu não esteja, de alguma forma, fazendo música.
Yakoushi: Apenas coisas relacionadas a hobbies meus, mas não sei se isso pode ser considerado algo para amenizar o estresse. Não tenho tanto estresse em geral — meu estresse é mais "pontual", por assim dizer. Coisas específicas que me estressam, ao invés de ser um estado presente cotidianamente, até porque minha rotina é bastante parada e neutra, então nem sempre há algo ocorrendo que me deixe nervoso assim. Duas coisas que faço regularmente é ficar garimpando artes de animes e jogos pela internet e editar pelo Photoshop fotos que tiro; há também coisas relacionadas à música que não se restringem à produção dela em si, mas acho que isso qualquer um que está inserido mais intimamente no meio musical faz naturalmente, então não conta. Agora, para especificamente aliviar o estresse, costumo caminhar, ficar mais isolado que o normal de pessoas, navegar sem rumo pela internet e/ou beber café (que é um dos métodos que mais costuma funcionar).
Atualmente, os Transtornos Mentais estão
ganhando mais atenção, devido aos altos índices de pessoas que padecem e mesmo
chegam à morte em decorrência destes males gravíssimos. Vocês creem que as
pessoas em geral, de fato, estão se importando mais umas com as outras, ou esse
cuidado ainda é apenas de quem passa pelo mesmo e por fim acaba criando um
círculo de ajuda entre pessoas que também são ignoradas e estigmatizadas pela
sociedade?
F.R.: Acredito que há sim um aumento de pessoas que dão mais atenção a esses transtornos, devido à grande quantidade de informações que podemos ter sobre isso hoje em dia. Mas, ainda assim, é um aumento modesto, que ainda é nebuloso entre toda a ignorância que há sobre este tema, ainda mais em nosso país.
Yakoushi: Eu aposto no segundo caso. É muito raro ver alguém que se importa com uma pessoa passando por dificuldades relacionadas a transtornos mentais sem que esse alguém em si tenha passado por algo similar. A verdade é que a maioria não está nem aí para você. A celebridade que publica algo nas redes sociais sobre esse tipo de assunto pode tanto estar tentando de fato ajudar quanto tentando dar uma de bom samaritano para manter uma imagem (como tanta gente faz no Setembro Amarelo, por exemplo), a questão é que é muito difícil ela conseguir se importar contigo como indivíduo, pois ela muito provavelmente não te conhece e não tem nenhum laço pessoal com você. Para a mídia e para pessoas que não nos conhecem individualmente, se cometermos suicídio, seremos uma vítima que entrou para a estatística e nada mais. E não estou falando que deveria ser diferente, até porque é impossível ser diferente; esse tipo de coisa está além das capacidades das pessoas. Meu ponto ao falar isso é que eu não consigo crer que as pessoas estão verdadeiramente se importando mais umas com as outras, elas estão apenas tocando no tema dos transtornos mentais com maior frequência e abertura (o que já é ótimo, sem dúvidas). Claro, conforme as pessoas compreendem a questão das desordens psicológicas fica muito mais provável de elas desenvolverem uma empatia maior por quem é acometido por isso, no entanto, falarmos mais sobre isso não necessariamente implica que as pessoas estão se importando mais com indivíduos passando por dificuldades. É só ver como quem se automutila ou tem cicatrizes visíveis por conta desse tipo de prática é malvisto pela vasta maioria das pessoas que não entende nada sobre. Você vai ao mercado de camiseta e tem gente te encarando com olhares assustados ou de desprezo. O progresso em relação a essas coisas é muito lento na sociedade, e nada indica que isso mudará.
Nos dias atuais, fazer música se tornou
algo mais acessível. Se encontram diversos softwares, instrumentos virtuais, e
até celulares onde se pode usar como microfone, facilitando a quem tem pelo
menos um conhecimento básico para compor, tocar e cantar vir a criar seu
próprio projeto. Inclusive, de forma solitária. Vocês já fizeram parte de
alguma banda com vários membros? Se sim, como foi essa experiência? E, se não,
vocês se sentiriam à vontade para fazer parte, mesmo que não fossem pessoas do
seu círculo de amizade?
F.R.: Já participei de dois projetos com alguns amigos. Porém, não eram de estilos que gosto. Foi uma experiência divertida, mas nada produtiva para mim (no âmbito musical).
Yakoushi: É meio difícil responder a primeira questão, já que "fazer parte" é algo meio incerto à minha visão. Em 2019 eu fui guitarrista de uma banda de Black Metal da minha cidade por exatos dois ensaios, então não sei se dá para dizer que "fui parte" da banda. Fora projetos em que sou só eu e outra pessoa, acho que apenas participei de fato da Fentanil mesmo. Minha experiência na Fentanil foi ótima. Era algo bem tranquilo, nunca houve qualquer tipo de pressão ou limitação e sempre havia compreensão e colaboração entre os membros. Acabei aprendendo um bocado com minha participação na banda, já que eu experimentava bastante nos vocais (o que acabou rendendo alguns momentos em que acho que vacilei no canto, mas faz parte, né). Quando trabalhando com outras pessoas no meio musical eu procuro ser complacente justamente para favorecer um ambiente sossegado.
O DSBM é relativamente um subgênero novo no Metal Extremo, porém já se encontra alicerçado e com uma cena expressiva. Vocês se lembram de como ele chegou até vocês? E quais foram as bandas que os apresentaram a este tipo de música tida como a mais depressiva do Metal?
F.R.: Conheci o DSBM através de um amigo, que me apresentou ao estilo quando eu tinha 16 anos. Sempre gostei do metal atmosférico, então fui imediatamente atraído para este tipo de música. Comecei com bandas como Lifelover, Silencer, Nocturnal Depression... e logo estava imerso nas atmosferas que moldam o DSBM.
Yakoushi: Incrivelmente, meu primeiro contato com o Black Metal foi logo com o DSBM. Lembro que lá em meados de 2016 eu frequentava um blog chamado Warriors of the Metal Horde (ou algo assim), e acabei caindo em uma publicação sobre o Happy Days um dia. Ouvi a demo "Alone and Cold" e imediatamente fui atraído. A partir daí fui pesquisando mais bandas, inclusive de outras vertentes do Black Metal. As bandas que eu mais ouvia no começo, se não me falha a memória, eram Happy Days, Lifelover, ColdWorld, Leviathan e Silencer. Algumas delas eu parei de escutar há tempos, como Leviathan, ColdWorld e Happy Days, outras continuo a ouvir bem frequentemente, tipo Lifelover.
O Brasil é um país muito grande, com um
povo diversificado e uma rica cultura. Vocês acompanham as regionalidades, seja
música, dança, teatro, culinária e literatura? Se sim, o que poderiam nos
indicar do seu estado?
F.R.: Não tenho tanto contato com a cultura de minha região quanto gostaria, mas o Paraná (e todo o Sul) é conhecido pela diversidade cultural, fruto das grandes imigrações que houveram, vindas principalmente da Europa e da Ásia, além da própria cultura indígena já presente na região. E o barreado de Morretes é um prato que faz jus à fama que tem.
Yakoushi: Não vou atrás de absolutamente nada da minha cidade/estado com o propósito de descobrir algo relacionado à cultura daqui. Não que eu me recuse ou algo assim, apenas não fico prestando atenção nesse tipo de coisa. O que consumo e acaba sendo daqui é puramente por acaso ou familiaridade. Mas tem um livro bem legalzinho de um professor de física aqui da UEPG chamado Gerson Kniphoff da Cruz; o livro é: "A criação do conhecimento real exterior".
Vocês são multi-instrumentistas, além de
compor e cantar também. Qual (ou quais) é o instrumento favorito de vocês? E há
algum que vocês ainda não tocam mas gostariam de vir a aprender tocar?
F.R.: Meu instrumento favorito é o baixo. Foi o primeiro que aprendi a tocar, e é o que tenho o maior domínio. Mas, gostaria muito de aprender alguns instrumentos de corda clássicos de uma orquestra, como o violino e o violoncelo.
Yakoushi: Meu instrumento favorito para tocar é guitarra porque é o único instrumento que tenho, hehehe. Mas para ouvir, gosto bastante de: baixo, violino, violoncelo, sintetizadores, xilofone e banjo. Que não tenho mas gostaria de aprender a tocar... Violino, um sintetizador ou teclado e violoncelo. Mas eu só queria mesmo era um amplificador melhor para a minha guitarra... O que tenho aqui no momento é sofrível. Ter um baixo e um violão seria interessante também. Atualmente estou com um baixo emprestado de um amigo, mas é uma sensação diferente de ter um instrumento que é verdadeiramente seu, sabe? Seria bem da hora se eu aprendesse a cantar também (hue).
A cena nacional de DSBM tem se mostrado
forte e há uma boa interação entre fãs e artistas. Como é o contato de vocês
com essa galera, tanto fãs quanto outros artistas do meio?
F.R.: É excelente. No início do Unguilty, não tive quaisquer pretensões de ser ouvido, apenas quis fazer música. Mas com o tempo, os ouvintes foram aumentando. Interagindo com a banda. E isso tudo é muito estimulante. Por isso, hoje, tenho grandes planos para o futuro da banda, e espero fortalecer ainda mais minha relação com estes que apreciam minha música.
Yakoushi: Eu — até onde sei, ao menos — geralmente acabo tendo contato com o pessoal que acompanha o que faço. Algumas pessoas comentam regularmente nas coisas que lanço no YouTube e eu procuro sempre responder, apesar de que por algum raio de motivo o YouTube às vezes parece apagar sozinho alguns comentários; não é raro eu receber notificação de comentário e, ao ir checar, ele simplesmente não estar lá. Uma parte considerável de quem eu sei que acompanha o que faço é composta de amigos meus, então uma hora ou outra há interação direta. Sou muito grato a quem escuta minhas músicas, já que sem essas pessoas meus projetos meio que nem existem. Meu contato com outros artistas do meio é bem limitado. Varia bastante, na real. Tem gente que eu conheço e interajo pouco por ser naturalmente mais fechado e optar por ficar fazendo minhas coisas sozinho na maior parte do tempo; tem gente que eu conheço por nome, mas nunca troquei uma palavra sequer de maneira direta, enfim. Eu acabo nem prestando muita atenção nisso; não vou ativamente atrás de estabelecer contato com quem não conheço, se isso acontece ou não é por acaso ou pelo desenvolvimento natural das coisas mesmo. Mas a galera com quem tenho contato é muito gente boa.
Como ouvinte e apreciador da música, qual é
o ponto de vista de cada um de vocês em relação a música mundial? Vocês
acreditam que com esse amplo acesso atual a música se tornará saturada, já que
há muitas pessoas fazendo música praticamente todos os dias, ou é o oposto e
justamente pela alta demanda dos ouvintes que mais artistas estão surgindo para
suprir essa necessidade?
F.R.: Não tenho um pensamento formado sobre isso pois é um assunto muito complexo. Mas no geral, sou otimista. Acredito que essa facilidade em produzir música pode revelar grandes talentos, que poderiam não aparecer em outro cenário. E que mesmo com a saturação em quantidade de músicas, os ouvintes sabem reconhecer os bons artistas. Mas, também penso que esse grande movimento na música, de maneira desordenada, pode desgastar os artistas e ouvintes, dificultando o surgimento de bandas emblemáticas e inovadoras, como haviam em maior quantidade antes.
Yakoushi: Ao meu ver, isso é algo extremamente difícil de definir, já que depende de inúmeros fatores em relação a várias coisas que rodeiam essa questão. Além de que você terá respostas diferentes de pessoas diferentes em momentos diferentes. Para alguns, o DSBM, por exemplo, já está saturado, enquanto que para outros o gênero ainda tem muita história pela frente. Eu diria que é mais uma questão de saber do que você gosta e encontrar alguma forma de apreciar diferentes coisas de diferentes modos. Eu costumava não curtir muito Black Metal “genérico” (como se essa palavra significasse qualquer coisa), mas nos últimos tempos aprendi a apreciar esse tipo de coisa. Achar música inovadora e diferente é muito interessante e gratificante, sem dúvidas, mas às vezes a gente tá afim de ouvir algo mais “básico’’ mesmo, é normal. Eu já fui crítico de projetos de DSBM que seguem determinado padrão, mas quer saber? Por mais que eu possa acabar não gostando do produto final, da música em si, hoje em dia eu acho completamente fascinante o que está por trás daquilo. É uma expressão totalmente genuína e honesta, e o artista está colocando para fora tudo o que ele tem dentro dele. O Black Metal é para isso mesmo, para dar vazão a esses sentimentos e ideias da forma que a gente bem entender. Se você gosta ou não de X projeto ou banda, é algo para você mesmo apenas, pois o ponto do cara por trás daquilo é puramente expressar o que ele quiser, e isso é o que importa no final. Se você tem algum sentimento, ideia, ou qualquer coisa que seja e não tenha acesso à pomposidade de um estúdio e equipamentos dignos de uma banda de Power Metal, o Black Metal te acolherá de braços abertos. Isso que é o Black metal para mim: liberdade artística para fazer o que você quiser da forma que você quiser. É uma forma de expressão genuína e às vezes até meio intimista, pois o artista muitas vezes expõe ali coisas que ficam obscuras à cotidianidade, coisas que só podem ser expressas por meio daquela música. É algo quase transcendental, e eu acho isso admirável. Eu poderia até mesmo comparar essa característica do Black metal à criação de um canal no YouTube. Se você quiser criar seu canal e começar a produzir conteúdo, você pode, a plataforma está livre para isso. Agora, a edição, o tipo de conteúdo, a regularidade com que ele é feito e todo o resto, isso fica à sua escolha. Não tem uma câmera ou microfone profissional? Tudo bem! Faça da forma que você puder, pois o canal é inteiramente SEU. Se as pessoas vão assistir ou não, se elas vão gostar ou não, tanto faz, desde que você esteja fazendo aquilo com honestidade, porque isso é o que importa no fim.
Considerações finais.
F.R.: É sempre ótimo fazer parte de entrevistas e outras atividades aqui na DSBM Brazil. Agradeço a todos aqueles que ouvem minha música. Aguardem por grandes novidades no futuro do Unguilty.
Yakoushi: Agradeço muito à página por essa oportunidade de ser entrevistado, agradeço a qualquer um que ouça minhas músicas e a qualquer um que está inserido ativamente na cena DSBM, seja apoiando os artistas de qualquer forma, seja divulgando bandas e projetos, seja produzindo algo. Vocês mantêm isso aqui vivo e andando. Gostaria de avisar também que tem coisa nova do Nattag por vir. Não estipularei datas, mas o que tenho por certo é que sairá este ano. Muito obrigado.
Vocês podem acompanhar os lançamentos e
informações de Unguilty e Nattag em suas respectivas plataformas e redes sociais.
• Unguilty
• Nattag
sábado, 29 de julho de 2023
Autópsia Lírica II
• Dysmorphophobia é uma canção da banda italiana Dreariness. A letra explora o tema da dismorfia corporal, uma condição de saúde mental em que o indivíduo tem pensamentos obsessivos e preocupações sobre sua aparência, frequentemente percebendo falhas que não são visíveis ou são insignificantes para os outros. Na letra, o indivíduo retratado é uma mulher, jovem, e que está lutando com essa condição, retratando suas emoções intensas e a percepção distorcida de si mesma. Os primeiros versos, "Eu injeto mais uma vez esse oceano em minhas veias", expressa metaforicamente o ato de se injetar com pensamentos negativos e autocríticos que a consome. A referência a um "oceano" sugere a natureza dominante desses pensamentos. A linha "Duas garras arranham minha garganta e me deixam em feroz desespero" expressa a agonia interna da jovem, as "garras arranhando sua garganta" simbolizam os pensamentos autodestrutivos afiados e dolorosos que causam danos físicos e emocionais. Essa dor é intensificada com a imagem de sangue e desespero. A linha seguinte, "Uma canção de ninar me leva à loucura" transmite a natureza cíclica da condição, onde a jovem encontra um estranho conforto, ou uma certa familiaridade, na sua percepção distorcida de si mesma. A menção de ossos se transformando em pó representa o desmoronamento e deterioração de sua autoimagem. Conforme a música avança, as emoções da jovem se intensificam. O desejo de salvar a pessoa presa dentro do espelho mostra seu anseio por escapar das limitações de sua própria mente. Os pedidos repetidos por cura e injeção de felicidade destacam seu anseio por alívio de seus pensamentos dismorfóbicos. "O espelho se quebra, ela está morta/Sua imagem lá/Ela está morta!", a quebra do espelho e a declaração da morte da pessoa significam a morte simbólica da imagem distorcida que ela havia criado de si mesma. Isso pode representar um ponto de virada na música, sugerindo uma possível ruptura da dismorfia ou uma constatação de que sua autopercepção não é a realidade. A frase repetida "Tudo queima instantaneamente, tudo se desmorfa" enfatiza a angústia e o caos vivenciados pela jovem. Reflete a luta constante que ela enfrenta, já que sua percepção distorcida distorce sua realidade, queimando qualquer imagem positiva de si mesma. No geral, Dysmorphophobia oferece uma exploração sombria e introspectiva do tormento emocional e psicológico causado pela dismorfia corporal. Lança luz sobre a batalha interna enfrentada por todas as pessoas que vivenciam essa condição, destacando o apelo desesperado por cura e libertação da percepção distorcida de si mesmas.
• O Fantasma de um Rancoroso Passado é uma canção da banda brasileira de Lamúria Abissal. A letra transmiti uma história de intensa raiva e ressentimento em relação a alguém do passado. E retrata o retorno dessa pessoa, causando desconforto e até mesmo dor física ("Sua presença já me range os ossos") ao indivíduo. Ele expressa sua raiva avassaladora e a dificuldade de lidar com essa pessoa cuja pesou-lhe mágoas no passado e que segue ressoando no presente. A música destaca noites sem dormir cheias de desabafos e tentativas condenadas de recomeçar, caindo em um ciclo destrutivo. Os dias são descritos como cheios de dor, remorso e constrangimento devido à presença persistente dessa pessoa. O trecho "Ó odioso ser de minha convivência/O fantasma clamante por voltar a estar vivo/Reviver o ódio, o amado sentimento retroativo" expressa como o indivíduo se sente em relação à pessoa que lhe conferiu mal, e que sua volta só vai remoê-lo ainda mais em um ódio imensurável. O retorno das emoções desprezadas, dos sentimentos sufocados e da passagem monótona dos dias presos nessa dança de dor em que eles repetidamente se envolveram, é trazido cruamente à tona, outra vez. A linha "Um dia fora algo, foi tudo, meu mundo/Agora não pode ser nada, tem que ser menos, esquecer tudo" explora um passado em que essa pessoa tinha importância, mas agora ela deve ser esquecida e descartada como nada. O indivíduo lista tudo aquilo que ela fez a ele, "Você me fez chorar/Me fez parar/Parar de falar/Você me fez gritar/Me aquietar". E reforça na linha seguinte, que sua volta, ainda que se mostre arrependida, não terá resultado algum senão o fim, desta vez, de uma vez por todas. "Você escapuliu de meus dedos, de escolhas que você fez/De coisas que você disse/De coisas que você fez e agora chora por eu ter chorado". E no trecho seguinte "Encho seu tumulo com minhas lágrimas e a muito custo/Te sepulto em meu desdém" o indivíduo afirma que, ainda com alguma relutância, enterra finalmente, e metaforicamente, este fantasma do presente manchado pelos resquícios de um passado amargo em um cemitério, enfatizando que não há chance de seu retorno. Nas próximas linhas há uma mudança de tom. "O vento que sopra agora em meu rosto/Limpando as lágrimas/Varrendo o cansaço/Secando minha feição, tão morta e exausta/De coisas que você disse, de coisas que você fez". O vento simboliza uma força purificadora, limpando as lágrimas, dissipando o cansaço e restaurando uma aparência morta e exausta. "A memória mais bonita, foi ter ido embora e deixar você morrer". As memórias do que essa pessoa disse e fez, embora antes significativas, agora são vistas como uma bela lembrança apenas porque ela partiu. "O perpetuar de sua morte, seria mais intenso te vendo me matar/Pelo amor que te dei, respondido com memórias de desdém". Ele deseja que a ausência da pessoa continue de forma perpétua, ainda que isso signifique testemunhar sua própria ruína. No geral, O Fantasma de um Rancoroso Passado mergulha nas complexas emoções de raiva, ressentimento e um árduo desejo de encerramento definitivo daquilo que se iniciou no passado. Destaca como muitos relacionamentos se baseiam em um amor dado por uma das partes, mas, que sendo correspondido com indiferença, se transforma em memórias de desprezo que se estendem por anos a fio.
• Transtorno Depressivo Maior é uma canção da banda brasileira Funesto. Ela explora um transtorno mental caracterizado pela redução drástica das emoções de alegria, bem-estar e prazer. Comumente chamado de depressão, o Transtorno Depressivo Maior é um transtorno mental que afeta as áreas cognitivas, fisiológicas e comportamentais da pessoa. É marcado pela baixa autoestima, pela perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, pela pouca energia e fadiga constante, dores físicas sem uma causa aparente, desânimo persistente, sentimentos de inutilidade, vazio, culpa ou/e irritabilidade. Ainda, reduz a capacidade de pensar, de se concentrar, memorizar ou de tomar decisões. Ocorrem alterações do sono (mais frequentemente insônia, podendo ocorrer também sonolência excessiva ou sono interrompido), alterações do apetite (mais comumente perda do apetite, podendo ocorrer também aumento do apetite). Somando-se ainda o retraimento social (isolamento social), chorar mais e com maior frequência, lentidão física generalizada, ou agitação psicomotora. Entre as consequências graves, há ocorrência de comportamentos autodestrutivos (autoagressão), pensamentos suicidas e tentativas propriamente ditas de suicídio. A letra evidencia o peso que o indivíduo carrega, a luta que trava diante desse inimigo que está em sua própria mente. "E nesse abismo de sofrimento/O suicídio não sai da minha mente/Por que?" é uma constatação que o indivíduo faz, e também uma indagação dosada em dor e revolta. Transmite um sentimento de desespero e um desejo de libertação das lutas da vida. O indivíduo tem pensamentos recorrentes sobre a morte. "Corda em volta do meu pescoço, o que me resta?", o questionamento da situação em que se encontra é constante, e enfatiza também que ele está só, em isolamento, está apenas consigo mesmo e mais ninguém. A ideia de findar com sua dor é a única coisa que paira em sua mente. Ele retrata seu estado mental e sua disposição para tomar medidas extremas pois já está em seu limite. "Eu não aguento mais essa dor/Me deixe morrer/Eu quero morrer" sugere a deterioração da condição mental e física do indivíduo. Ele se sente esgotado, exausto da luta constante e pronto para sucumbir ao seu destino. Clama a si mesmo para que não haja qualquer relutância, apenas que se deixe morrer. No geral, Transtorno Depressivo Maior retrata os temas de desesperança, desespero e pensamentos de suicídio presentes na depressão. Apresenta um vislumbre da mentalidade de alguém que considera o suicídio, lançando luz sobre a turbulência interna e o impacto que tal decisão tem sobre o próprio indivíduo exausto fisica e mentalmente.
domingo, 23 de julho de 2023
Autópsia Lírica
Devido a inúmeros motivos, as postagens do blog não têm uma frequência padronizada. Assim, decidi trazer nesta única publicação várias análises de letras de algumas bandas da cena, ao invés de uma postagem com uma única análise. Aqui são breves autópsias líricas, trazendo à tona as mensagens expressadas na parte lírica da música. Selecionei 2 músicas de cada banda.
• Morgondagen é
uma canção da banda sueca Apati. A faixa
está presente no álbum Morgondagen Inställd I Brist På Intresse. É uma música
sombria que explora o vazio e o desespero que podem surgir ao se sentir preso
em uma vida vazia e sem esperança. A letra retrata uma pessoa que está lutando
contra a depressão e uma sensação de desesperança em relação ao futuro. O indivíduo
acorda sentindo como se seu despertador fosse uma facada em sua cabeça e passa
a manhã fantasiando sobre um futuro muito distante de sua realidade atual. O
uso do álcool como mecanismo de enfrentamento é destaque na letra, com o indivíduo
bebendo várias cervejas apenas para voltar a dormir. Ele basicamente desiste de
seu futuro, alegando que seu amanhã foi cancelado por falta de interesse. A
ideia de isolamento também é explorada, com o indivíduo tirando uma 'licença
médica' para o resto da vida, destacando seu completo afastamento da interação
humana. O trecho no meio da música é de um filme sueco chamado "Om jag
vänder mig om" de 2003, e ele enfatiza como, infelizmente, mesmo os
profissionais da saúde mental podem negligenciar seus pacientes. A mensagem é
repleta de revolta, afinal, a pessoa vive um inferno mental e todos a sua volta
parecem simplesmente ignorar, usar de indiferença para com sua dor. "Não há um bastardo que possa nos
curar! Aqui estão pessoas que se sentem como eu, uma merda. Uma merda a cada
maldito minuto! Você não vê que toda a minha vida é uma catástrofe? Você não
percebeu isso quando eu sentei aqui e conversei com você?" Outro
trecho é encontrado no final da música, este sendo de um filme chamado
"Palindromes" de 2004. A fala do personagem expressa sua descrença
nas mudanças, principalmente em relação às pessoas, sugerindo que as pessoas
nunca mudam de verdade e que os mesmos padrões e lutas continuarão ao longo da
vida de cada indivíduo. A música em geral é uma exploração sombria, mas
realista, dos sentimentos de desespero e falta de propósito que podem surgir na
vida. A letra de Morgondagen é um aviso poderoso sobre os perigos de se deixar
consumir pelo desespero e isolamento.
• Lämna mig ifred é uma canção da banda sueca Apati, lançada como 3ª faixa do álbum Morgondagen Inställd I Brist På Intresse. A letra transmite um profundo sentimento de desespero e distanciamento. Fala sobre a falta de interesse do indivíduo em encontrar felicidade ou realização na vida. As falas iniciais transmitem uma sensação de desesperança e resignação, pois ele parece ter desistido totalmente da busca pela felicidade, aceitando sua desgraça. O trecho "Eu quero pegar o motorhome de alguém/ Desaparecer por uma estrada de cascalho empoeirada" pode ser interpretado como um desejo de escapar do mundo e se isolar. A linha "...com uma cerveja gelada na mão/Em direção à terra de ninguém sob um céu azul" sugere que o indivíduo está buscando consolo no álcool e está disposto a ignorar as consequências de suas ações. Esse trecho menciona "Ingenmansland", que significa "terra de ninguém" em sueco. Isso pode ser interpretado como uma metáfora do estado emocional e mental do indivíduo, pois ele se sente desconectado e separado do mundo ao seu redor. Ele também fala sobre parar em cidades pequenas, comer comida gordurosa e seguir para o próximo lugar. Isso expressa o desejo de distração temporária, sem nenhum propósito ou direção real. No geral, a canção Lämna mig ifred é um reflexo dos sentimentos de isolamento, desesperança e distanciamento do indivíduo para com o mundo ao seu redor. A letra sugere um desejo de se isolar a todo custo, buscando assim uma pausa temporária da dor emocional.
• Alltid - Aldrig
é uma canção da banda sueca Lifelover, lançada no álbum Konkurs. A letra aborda
temas de dualidade, turbulência emocional e uma busca por escapar do peso da vida.
Fala sobre um estado de espírito conflituoso e abalado, onde a alegria e o
desespero se misturam como água com o suco mais doce. A imagem de um
estrangulamento que a vida dá na garganta do indivíduo sugere uma sensação de
sufocamento ou de estar preso. No entanto, há um momento de pausa quando o
aperto é momentaneamente enfraquecido, permitindo que o indivíduo finalmente
respire. Isso traz uma rara sensação de felicidade, embora também seja
acompanhada por uma sensação de peso e alívio. As linhas seguintes descrevem um
estado de euforia que parece simultaneamente elevar e dilacerar o indivíduo.
Expressa o desejo de fugir para um lugar onde tanto a luz quanto as sombras convivem
e onde a dança da vida o conduz para a morte. Esta imagem sugere um desejo de
encontrar consolo na justaposição de diferentes emoções e experiências. O convite
para dançar e cantar junto, repetida várias vezes no coro, significa um desejo
de conexão e experiências compartilhadas. O desejo de brincar e rir juntos nas
clareiras representa uma fuga temporária dos fardos da existência. Há um desejo
de existir em um momento sem propósito ou significado, onde a ausência de tudo
se torna tudo. A frase "Alltid, aldrig" (sempre, nunca) serve como
uma poderosa conclusão para a música. Mostra a natureza paradoxal da vida, onde
tudo e nada coexistem. Sugere o ciclo perpétuo de emoções e experiências -
momentos de felicidade e alívio são contrastados com momentos de desespero e
sufocamento. A música como um todo apresenta uma exploração complexa das
emoções humanas e a constante oscilação entre estados mentais conflitantes,
enfatizando a intrincada natureza da existência.
• Cancertid é uma canção da banda sueca Lifelover, lançada
em seu 3º álbum Konkurs. A música explora temas de quietude, despertar, traição
e reflexão. Inicia-se com o indivíduo acordando lentamente de um sono químico,
possivelmente referindo-se a um estado de espírito alterado por drogas ou
depressão. A menção de "novas traições" sugere que o indivíduo passou
por repetidos ciclos de decepção e desapontamento. A música mergulha na
tentativa de o indivíduo refletir sobre as horas perdidas, implicando um
sentimento de arrependimento e questionando o propósito desses momentos. Também
transmite uma sensação de vazio e falta de sentido na existência do indivíduo.
Ele se questiona se a realidade existe no mundo externo ou apenas dentro de sua
própria mente violada, insinuando uma luta com a percepção distorcida e uma
turbulência interna. As linhas finais, "Sigo minha dança no reino da névoa
- onde nada mais tem significado", retrata o desejo de escapar das
restrições da realidade e abraçar um reino onde o significado convencional
deixa de existir. Essa imagem sugere um anseio por uma realidade alternativa ou
um refúgio dos fardos da vida. No geral, Cancertid explora temas de
desilusão, introspecção e um desejo de fuga, oferecendo uma perspectiva sobre
as lutas emocionais do indivíduo e a busca por significado em um mundo
aparentemente indiferente.
• In My Last Mourning... é uma canção da banda brasileira
Thy Light. A música explora temas sombrios e introspectivos de depressão,
autoaversão e pensamentos suicidas. As linhas iniciais sugerem uma sensação de
desesperança e desespero, enquanto o indivíduo lamenta a passagem do tempo e a
dor constante que sente todos os dias em um mundo consumido pela escuridão. A
frase "Pelas minhas narinas corre o cheiro da minha própria morte impressa
no céu cinza de domingo" descreve um sentimento de morte iminente, uma
sensação de que a morte está sempre à espreita. Isso pode representar a luta do
indivíduo com pensamentos e tendências autodestrutivas, ou talvez a consciência
de sua própria mortalidade. A linha "Eu me mato, tiro minha vida..."
é uma afirmação ousada e chocante que confirma o tema da ideação suicida
presente ao longo da música. Parece sugerir que o indivíduo está pensando em
tirar a própria vida como forma de escapar da dor que sente todos os dias. Ao
final, "Em meu último luto, percebo, sempre fui o nada que temia me tornar..." fornece
um vislumbre de percepção da psique do indivíduo. Isso sugere que ele pode se
sentir inadequado ou inútil e tem um medo profundo de se tornar nada. Essa
percepção pode ser o que o leva a pensar no suicídio como uma forma de escapar
desses sentimentos. No geral, In My Last Mourning... é um retrato sombrio e
assustador de alguém lutando contra a depressão e pensamentos suicidas. A
música oferece um vislumbre da mente de alguém consumido pela escuridão e pelo
desespero e serve como um lembrete da importância da saúde mental e da busca de
ajuda quando necessário, visto que, segundo o próprio compositor da música, ela
(bem como todas as faixas da DEMO) expressam a dor de um amigo que, de fato,
culminou com o suicídio. Assim, essa música nada mais é do que um retrato
autêntico de alguém que não pôde mais suportar o fardo da dor.
• A Crawling Worm In A World Of Lies é uma canção da banda
brasileira Thy Light, foi lançada como 3ª faixa na DEMO Suici.De.Pression. Ela
retrata uma sensação de desespero e desilusão diante de um mundo enganoso. O
indivíduo se encontra desolado e refletindo sobre sua jornada, percebendo que
seus esforços foram inúteis e o deixaram se sentindo derrotado. As linhas de
abertura, "Desolado, eu só assisto a trilha em que andei para chegar aqui",
mostra um sentimento de vazio e distanciamento. Sugere que o indivíduo está
observando suas ações e experiências passadas, mas com um sentimento de
distanciamento e indiferença, enfatizando sua desilusão. A frase "Tudo em
vão, nenhuma recompensa para me fazer levantar a cabeça" reflete a
decepção do indivíduo com a falta de realização ou reconhecimento por seus
esforços. Ele dedicou tempo e energia significativa, mas não há resultado tangível
ou sensação de realização. Essa falta de recompensa leva a uma postura
figurativa de olhar para baixo, pois o indivíduo se sente decepcionado e
derrotado. A frase, "Amarga foi minha derrota, vejo o céu coberto com a
fumaça cinza que meus olhos nunca conseguiram suportar", reflete a
percepção do indivíduo sobre seu fracasso. A "fumaça cinza" simboliza
uma atmosfera opressiva e sufocante, provavelmente representando as mentiras e
enganos que o cerca. Essa imagem enfatiza ainda mais o sentimento de
desesperança e a natureza avassaladora e penetrante das falsidades que encontra
no mundo. A linha final, "Na realidade decadente... sou apenas um verme
rastejante em um mundo de mentiras", expressa o significado geral da
música. Significa a profunda percepção do indivíduo de que ele é insignificante
e impotente em um mundo dominado pela falsidade. A metáfora de ser um
"verme rastejante" implica uma sensação de vulnerabilidade,
impotência e insignificância em comparação com as mentiras e decepções que
assolam sua existência. No geral, A Crawling Worm In A World Of Lies retrata um
sentimento de desilusão, desespero e insignificância diante de um mundo
enganoso e opressivo. A letra captura a frustração e o desespero experimentados
quando se percebe a extensão das falsidades que nos cercam e a dificuldade de
encontrar autenticidade em tal sociedade.
• Her Ghost Haunts These Walls é uma canção da banda
francesa Nocturnal Depression. A música explora temas de perda, tristeza e
saudade de um ente querido que faleceu. A letra retrata um sentimento de
aceitação e desejo de se reunir com o ente que partiu. Os versos iniciais,
"Minhas mãos estão acariciando as pedra/Sua frieza perfura minha pele e
rasteja até meu coração", sugerem um sentimento de conexão e consolo ao
tocar objetos associados a pessoa falecida. A atmosfera melancólica é
enfatizada com a menção à obscuridade e a mistura de preto e cinza,
significando um estado de tristeza e desolação. A letra descreve ainda a dor
avassaladora do indivíduo e o profundo impacto de sua perda. "Tudo lá está
cheio de tristeza/Tudo lá está chorando". Esta linha destaca a natureza
penetrante da tristeza e a incapacidade de escapar do luto. O refrão revela a
saudade do indivíduo e o desejo de estar com a pessoa amada. "Pego suas
mãos, sigo você para um lugar melhor" e "Pego suas mãos, deixe-me
ficar ao seu lado" transmitem o desejo de reencontro e a esperança de uma
vida após a morte pacífica. Esse anseio é ainda mais enfatizado pela repetição
dessas linhas. À medida que a música avança, a sensação de desespero se
intensifica. As imagens de ruínas e sofrimento refletem os restos despedaçados
da vida do indivíduo sem a pessoa querida. Os flashes que ferem a mente e a
incapacidade de esquecer reafirmam o impacto duradouro dessa ausência. Os
versos climáticos pintam uma atmosfera de escuridão e isolamento, com chuva
caindo e o mundo escurecendo. Apesar disso, a presença da alma que partiu ainda
é sentida. "Sinto sua presença, seus braços em volta de mim, sua cabeça
nas minhas costas" indica uma conexão espiritual e a sensação do abraço da
pessoa amada. A música termina com a frase comovente: "Eu me matei para me
juntar a você". Esta linha expressa as profundezas extremas da dor e o
desejo de se reunir até o ponto de sacrificar a própria vida. No geral, Her
Ghost Haunts These Walls retrata a jornada emocional de alguém lutando com a
perda de um ente querido e seu desejo de consolo e reunião na vida após a morte,
mesmo que seja tirando a própria vida, tamanha a dor da perda que não pôde ser
digerida de modo algum.
• Nevica é uma canção da banda francesa Nocturnal
Depression, foi lançada como 6ª faixa do álbum Reflections Of A Sad Soul. A
música explora temas de dor, tristeza e decadência emocional. A letra retrata
uma paisagem escura e desolada onde o indivíduo encontra consolo no abraço do
inverno e sua nevasca. As linhas iniciais dão o tom sombrio, com a noite caindo
e gritos de desespero ecoando em um mundo feito de pedra. Isso expressa o mundo
indiferente às dores e aflições das pessoas. A música também investiga o
passado e o futuro do indivíduo, cheio de visões sombrias e uma sensação de
destruição iminente. O peso das palavras de alguém o feriu profundamente,
metaforicamente perfurando sua pele como uma lâmina. A frase "As pedras
rasgaram minhas mãos" sugere que as cicatrizes do sofrimento passado foram
reabertas, fazendo-as sangrar novamente. O desespero e a dor se manifestam como
lágrimas e choro, simbolizando a angústia emocional que a indivíduo vivencia. A
memória de uma pessoa específica o persegue, testemunhando seu declínio. A
chegada do inverno serve como metáfora para o desejo do indivíduo de que seu
corpo físico seja coberto e escondido. Ele anseia pela pureza da neve para
esconder a feiura que reside dentro de si. O corpo do indivíduo é descrito como
repulsivo, prendendo uma alma sombria e emanando energias negativas. A ausência
de emoções e arrependimentos destaca seu distanciamento do mundo e uma vontade
de enterrar tudo relacionado à pessoa que causou sua dor. Os ventos frios
simbolizam a partida iminente de sua alma de seu estado atual de existência. O
refrão "Nevica" (está nevando) serve tanto como um chamado para
abraçar o frio quanto como uma metáfora para o tormento interior do indivíduo.
Ele se vê como um reflexo amaldiçoado, triste e monstruoso no espelho - uma
manifestação da dor que inflige a si mesmo. Em última análise, ele se vê como
uma presença fantasmagórica, escondida em um lugar esquecido. Ele existe como
um pensamento espectral que guia os outros para a destruição. As linhas finais
expressam a proibição da alegria e o surgimento de uma nova era impregnada de
negatividade. No geral, Nevica explora temas de sofrimento emocional,
isolamento e desejo de fuga. A música transmite uma sensação de profunda
turbulência interior e o profundo impacto que traumas do passado e
relacionamentos tóxicos podem ter na psique de um indivíduo.
• Screaming at Forgotten Fears é uma canção da banda estadunidense Xasthur. Essa música mostra uma imagem vívida de uma pessoa lidando com medos e ansiedades profundamente arraigados que ela tentou esquecer ou afastar. O indivíduo está tentando explorar um "código perdido de autoconhecimento" para tentar lidar com os medos que enfrenta, embora possa até estar usando métodos destrutivos para tentar se livrar desses medos. O veneno escondido atrás de sua máscara simboliza a escuridão que ele está tentando esconder. Ele admite que seus medos estão "servindo-se nas asas da aflição da dor". Ao permitir-se enfrentar os medos que tenta esquecer, o indivíduo sugere que será a sua própria alma que acabará por assumir a culpa pela destruição causada pelas suas lutas. O seu eu destruirá os seus próprios medos, mas, obviamente, destruirá o indivíduo junto. Não há como esquecer coisa alguma, mas, o tempo pode amenizar certas lembranças aterrorizantes. Assim, o indivíduo sentiu-se menos amedrontado por um tempo, até que sua mente o lançou no poço de seus mais terríveis medos. Ele tenta encontrar modos de enfrenta-los, visto que, nesse ponto, já não se pode mais ocultá-los. Porém, nenhuma forma é eficiente, e, por fim, ele recorre a um meio de se alimentar dos próprios medos. Sem sucesso algum, acaba apenas por ser atormentado pelos medos, elevando a ansiedade ao extremo. Xasthur sempre abordou em suas canções o terror, pavor, a consciência de si e o confronto do indivíduo consigo mesmo. No geral, Screaming at Forgotten Fears traz à tona a aterrorizante imagem de que tentar reprimir os seus medos só os eleva cada vez mais, chegando a proporções onde nada mais pode pausá-los, mesmo que por um momento.
• Dreams Blacker Than Death é uma canção da banda estadunidense Xasthur, lançada como 3ª faixa no álbum To Violate The Oblivious. A música investiga temas de escuridão, transformação e o fascínio de uma realidade alternativa. A letra pinta um quadro assombroso e mórbido, enfatizando a essência da banda. As linhas de abertura, "Em transe profundo pela lua/Transformação para devorar os vivos", sugere uma sensação de ser atraído para um estado de espírito hipnotizante. Isso pode ser interpretado como uma representação metafórica do indivíduo sendo consumido por seus próprios demônios internos ou explorando as profundezas de seus desejos sombrios. A lua muitas vezes simboliza o mistério e a mente inconsciente, sugerindo uma jornada aos reinos sombrios da psique. A frase "Além dos sonhos mais negros que a morte" pode ser vista como uma afirmação poderosa que abrange a profundidade da tristeza e do desespero. Ao se referir aos sonhos como sendo ainda mais sombrios que a morte, a música sugere que o mundo dos sonhos pode se tornar um refúgio e até uma alternativa preferível à dura realidade da vida. Isso pode refletir um desejo de escapar da dor e do sofrimento experimentados na existência cotidiana. A repetição do verso "Viver por... E morrer por..." transmite um profundo sentimento de devoção e dedicação. Sugere uma vontade de se comprometer com algo além do reino comum da existência, mesmo que seja atormentador. Isso pode implicar um fascínio pelos aspectos mais sombrios da existência ou um desejo de transcender as limitações do mundano. A linha final, "Aeons do purgatório", sugere um estado perpétuo de sofrimento e angústia sofrido pelo indivíduo. Isso sugere que ele está preso em um ciclo eterno de tormento, incapaz de encontrar paz ou descanso. Isso pode refletir uma angústia existencial mais profunda e a sensação de estar preso em uma aflição sem fim. No geral, Dreams Blacker Than Death mergulha nas profundezas da escuridão, explorando temas de transformação, escapismo e turbulência emocional. Ela captura a essência emotiva e crua da música de Xasthur, oferecendo um vislumbre do mundo complexo e inquietante da psique humana.
Em breve mais interpretações de outras músicas e bandas.





















